Protestos contra os ataques à Venezuela reafirmam a defesa da soberania e da autodeterminação dos povos
A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, em janeiro de 2026, provocou ampla reação popular e política no Brasil e em diversos países. O sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores recolocou no centro do debate temas importantes para os povos da América Latina, como a soberania nacional, o direito à autodeterminação e os impactos das intervenções estrangeiras sobre a democracia e as condições de vida das trabalhadoras e trabalhadores.
Para além das justificativas oficiais, a agressão faz parte de uma estratégia de controle dos recursos naturais estratégicos da região, especialmente o petróleo, e de reafirmação da hegemonia dos Estados Unidos sobre a América Latina e o Caribe. Essa lógica de dominação econômica e política tem produzido, historicamente, instabilidade, autoritarismo, violações de direitos humanos e aprofundamento das desigualdades sociais.
No Brasil, sindicatos, movimentos populares, entidades estudantis e organizações da sociedade civil organizaram manifestações em diversas capitais. Em algumas cidades, os atos foram realizados nas proximidades do Consulado dos Estados Unidos e reuniram grande número de participantes em defesa da soberania venezuelana e do direito dos povos de decidirem seus próprios rumos, sem interferência externa. As mobilizações ocorreram em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Salvador, São Luís e Porto Alegre, entre outras.
Em reuniões realizadas nos dias 5, no Conselho de Segurança da ONU, e 6, na OEA, o Brasil expressou oposição à ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. Segundo a Agência Brasil, na ONU o embaixador Sérgio França Danese alertou que a paz na América do Sul encontra-se ameaçada e que intervenções armadas anteriores deixaram como legado a instalação de regimes autoritários, graves violações de direitos humanos, mortes, tortura e desaparecimentos forçados.
Já na OEA, o Brasil, ao lado de Chile, Colômbia, México e Honduras, apresentou posição conjunta contrária à ação estadunidense, defendendo a soberania dos países e soluções diplomáticas. Nessa mesma linha, o embaixador Benoni Belli classificou os bombardeios e o sequestro do presidente venezuelano como uma afronta gravíssima ao direito internacional.
No plano internacional, protestos contra os ataques à Venezuela foram registrados em países da América Latina, como Colômbia, Argentina, Chile e México, além de manifestações na Europa, na África do Sul e em países da Ásia. Nos próprios Estados Unidos, cidades como Nova York, Washington e Los Angeles também registraram atos organizados por movimentos pacifistas, sindicatos e grupos críticos à política externa norte-americana.
Para o movimento sindical e para as entidades comprometidas com a defesa dos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores, os protestos contra os ataques à Venezuela reafirmam uma compreensão histórica: não há democracia, justiça social ou desenvolvimento sustentável possível sob a lógica da intervenção militar e da dominação econômica. A soberania nacional e a autodeterminação dos povos são princípios indissociáveis da luta por direitos, por educação de qualidade, por trabalho digno e por sociedades mais justas.
Nesse sentido, a mobilização popular no Brasil e no mundo expressa não apenas solidariedade ao povo venezuelano, mas também a defesa de um projeto de América Latina soberana, democrática e comprometida com os interesses de suas populações, e não com a lógica predatória do capital internacional.
Por Antônia Rangel





