Railton Souza defende a reestruturação sindical e o fortalecimento da luta internacional na abertura do 35º Congresso da CNTE
O coordenador-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), Railton Souza Nascimento, participou da cerimônia de abertura do 35º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), realizada nesta quinta-feira (15), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF). Cerca de 2 mil educadores e educadoras de todo o Brasil participam do evento, que segue até o dia 18.
A mesa de abertura contou com a presença do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, além de lideranças sindicais, parlamentares, representantes do movimento estudantil e de entidades nacionais e internacionais.
Em sua intervenção, Railton Souza levou ao plenário dois recados centrais, ambos atravessados pela defesa da unidade da classe trabalhadora e pela necessidade de reorganização do movimento sindical diante das transformações recentes no mundo do trabalho.
“Os sindicatos são fundamentais, e a reestruturação do sindicalismo no Brasil é urgente, especialmente após os ataques sofridos desde 2016, com a reforma trabalhista, a reforma da Previdência e o avanço da precarização das relações de trabalho”, afirmou.
Segundo o dirigente, o enfraquecimento dos direitos trabalhistas integra um projeto histórico do capitalismo predatório e do imperialismo, que busca submeter os trabalhadores à lógica do mercado, sem qualquer proteção social. Nesse contexto, ele alertou para o crescimento acelerado da uberização, da terceirização e da informalidade, processos que afastam milhões de trabalhadores da proteção sindical.
“Hoje, os sindicatos já não alcançam a maioria dos trabalhadores, porque há uma avalanche de trabalhadores uberizados, terceirizados e desempregados. O desafio que se coloca é: como alcançar esse trabalhador? Como levar a solidariedade sindical àqueles que estão desprotegidos?”, questionou, em diálogo com reflexões feitas pelo presidente Lula sobre a reconstrução do pacto social no país.

Luta internacional e solidariedade entre os povos
Railton também destacou a importância da luta internacional da classe trabalhadora, especialmente diante das ofensivas imperialistas em curso no mundo. O dirigente citou as agressões recentes contra a Venezuela como parte de um projeto mais amplo de dominação geopolítica.
“A agressão hoje pode ser contra a Venezuela; amanhã, pode ser contra qualquer um de nós. Por isso, os trabalhadores em educação têm a tarefa de fortalecer as entidades sindicais internacionais”, defendeu.
Nesse sentido, ressaltou a necessidade de fortalecer a Internacional da Educação (IE) e outras articulações internacionais, levando à mesa uma saudação em nome da Confederação dos Educadores Americanos (CEA). Para ele, a solidariedade internacional é um instrumento estratégico na defesa dos direitos trabalhistas, da democracia e da soberania dos povos.
Ao encerrar sua fala, Railton enfatizou que a luta sindical também passa pela disputa da correlação de forças no Congresso Nacional, alertando para os riscos de retrocessos caso setores conservadores avancem sobre os direitos sociais.
“Sem parlamentares comprometidos com a classe trabalhadora, os direitos são retirados. É preciso reeleger o presidente Lula, mas também construir uma bancada de professores, técnicos administrativos e trabalhadores de todas as categorias, comprometida com um projeto nacional de valorização do trabalho”, concluiu.
Compromissos do governo com a educação
O ministro Guilherme Boulos fez um discurso contundente ao destacar três compromissos centrais do governo do presidente Lula com a educação. O primeiro deles é a posição firme contra a privatização das escolas públicas. “A educação não é mercadoria. A educação é um direito garantido na Constituição, e o compromisso do nosso governo é defender a educação pública, gratuita e laica”, afirmou.
O segundo é o enfrentamento ao avanço das escolas cívico-militares. Boulos reforçou que “a escola é lugar de professor, não de coronel; é lugar de livro e de conhecimento, não de arma nem de disciplinamento forçado”. Para o ministro, não é possível abrir mão do caráter essencial da educação brasileira. “Contem com o nosso governo para enfrentar a onda de militarização das escolas no Brasil”, disse.
O terceiro apontado foi a valorização dos profissionais da educação. “A valorização dos profissionais da educação está no DNA dos sindicatos”, destacou.
Boulos também criticou governos anteriores que tentaram deslegitimar os servidores públicos ao classificá-los como privilegiados. “Quem tem privilégio neste país não é trabalhador. São os bilionários, os super-ricos e os banqueiros. É por isso que o governo do presidente Lula enfrenta os privilégios e reafirma o compromisso com a valorização salarial, os planos de carreira e as condições de trabalho dos profissionais da educação”, afirmou.
Segundo ele, a educação ocupa um papel central na disputa política, por ser fundamental no combate à desinformação, às fake news e ao avanço do autoritarismo.

Luta coletiva e resistência
O presidente da CNTE, Heleno Araújo, frisou a centralidade da luta coletiva e da organização sindical na defesa da educação pública.
“Precisamos dar sequência neste trabalho de manutenção da nossa profissão e da nossa educação”, afirmou.
Heleno ponderou que a educação não se constrói de forma individual, mas coletiva, ressaltando que “o caminho que se faz ao caminhar não se faz sozinho, faz-se sempre juntos”. Para ele, a realização do 35º Congresso da CNTE, após anos de ataques à educação pública, simboliza a resistência da categoria frente ao negacionismo científico e à extrema direita.
Ao declarar oficialmente aberto o congresso, o presidente da CNTE defendeu a preparação das lutas para os próximos quatro anos, com foco na ampliação de direitos, na valorização profissional e no fortalecimento das políticas públicas educacionais.
A senadora Teresa Leitão (PT-PE) também fez questão de ilustrar o compromisso histórico da categoria com a defesa da educação pública e da democracia, trazendo à luz o protagonismo dos trabalhadores e trabalhadoras da educação nos momentos mais difíceis da recente história política do país.
“A educação nunca se omitiu da luta. Foi essa categoria que foi às ruas quando a democracia e os direitos estavam sob ataque, e é por isso que ela segue sendo motivo de orgulho para o Partido dos Trabalhadores”, afirmou.
Com o lema “Educação, democracia, sustentabilidade e soberania”, o congresso teve abertura marcada por posicionamentos firmes em defesa da educação pública, da organização sindical e da soberania nacional. A continuidade do governo do presidente Lula foi tônica recorrente, apontada como caminho para garantir a permanência e o fortalecimento das políticas públicas de educação, dos direitos sociais e da valorização da categoria.

Por Romênia Mariani




