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A palavra “república” vem do termo em latim “res publica”, que pode ser traduzido como “coisa pública”, ou seja, aquilo que diz respeito ao interesse público de todos os cidadãos e cidadãs. Hoje, no entanto, neste 15 de novembro de 2018, no 129° aniversário da Proclamação da República no Brasil, não é engano dizer, embora seja triste admitir, que a “coisa pública” têm interessado cada vez menos.

Não que a República brasileira não tenha passado por muitos percalços. Passou. A começar pela própria proclamação, que é alvo de controvérsia entre historiadores. Legítima ou não, golpe de Estado ou não, o fato é que, a partir dela, parecemos ter tido mais regimes autoritários permeados de respiros democráticos do que o contrário. Tanto que a Nova República, calcada no pacto social que propiciou a redemocratização em 1985, a Constituição de 1988 e a eleição direta de 1989, é a de número seis na história do país. Antes dela houve a Primeira República ou República Velha, até 1930, dominada, num primeiro momento, por setores do Exército e, num segundo, pelas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais; a Era Vargas, que representou a Segunda e a Terceira Repúblicas; a Quarta República ou República de 1946; e, por fim, a ditadura civil-militar de 1964 a 1985.

E agora? Há o quê?

Em entrevista à Rede Brasil Atual, a pesquisadora e professora assistente no Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po) Anaís Medeiros Passos argumenta que as recentes eleições, com a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) e tudo o que ele representa, põe fim ao arranjo social que possibilitou e caracterizou a Nova República. Há quem contraponha, porém, que, na verdade, a Nova República já teria terminado com o golpe parlamentar-jurídico-midiático que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e alçou Michel Temer — e todo os retrocessos trazidos com ele — ao poder.

De uma forma de outra, neste 15 de novembro, mais do que marcar a memória dos quase 130 anos passados de republicanismo, é fundamental pensar o que será da República — não como sinônimo de governo, mas, sim, de interesse público — no presente-futuro que começa. E lutar por ela!

Por Táscia Souza

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