A grande imprensa defende os interesses do grande capital!

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Por Nivaldo Mota*

Está claro isso, ou tem gente iludida?

Fico impressionado com os setores de esquerda, quando questionam o papel da imprensa quanto à cobertura que ela dá aos atos patrocinados pelo conjunto das entidades classistas, da classe trabalhadora, em repúdio as medidas tomadas pelo consórcio que assumiu o país pós-golpe de 2016.

Ora, camaradas, eles defendem outras teses. Não existe imparcialidade jornalística, todos temos um lado, as grandes redes de TV e Rádio nesse país são controladas por ricaços, políticos da direita neoliberal ou exploradores da fé do povo, como o pessoal da Rede Record e de outros veículos menores.

Quem não se lembra do papel nefasto da Rede Globo? Essa emissora se tornou a porta-voz do regime militar fascista. Em 1964, as Organizações Globo apoiaram o golpe militar, depois ajudaram a consolidar esse mesmo golpe, mesmo sabendo das torturas e mortes de estudantes, operários, religiosos, camponeses. Eles se calaram, omitiram, concordaram com a censura impostas pelos fascistas militares.

Quem não se lembra da Rede Globo omitindo as manifestações por Diretas Já, em 1984, em São Paulo? Quase um milhão de pessoas e a Rede Globo dizendo que era aniversário da cidade de São Paulo e aquilo era um show com vários artistas. Enquanto a Rede Manchete cobria o ato pelas diretas desde a tarde, a Rede Globo, como sustentáculo maior do regime militar, mesmo que apodrecido naquela época, não dizia nada sobre as manifestações cívicas pela democracia em nosso país.

Só depois de muito tempo, quando se celebrou o acordão nacional de uma enorme frente que ia desde o PDS (ex-Arena, partido que deu sustentação política ao regime), que estava naquele momento sendo rompido por Antônio Carlos Magalhães, eterno dono da Bahia, José Sarney do Maranhão e Aureliano Chaves de Minas, que formaram o PFL (Partido da Frente Liberal), e se juntaram a Ulisses Guimarães e Tancredo Neves do PMDB (ex-MDB, foi o partido da oposição consentida quando vigorava o bipartidarismo em nosso país, de 1966 a 1982), as redes de TV e suas afiliadas, das quais também são proprietárias as oligarquias locais — aqui em Alagoas a Gazeta/Globo dos Collor de Melo, a TV Pajuçara/Record, dos Tenórios, Nonôs e Palmeira, a TV Alagoas que hoje é Ponta Verde/SBT, foi dos Sampaios e hoje pertence ao grupo Opinião, que é dona do Hap Vida, plano de saúde privado — começaram a explorar o novo ambiente político e propagar o mesmo, levando a sensação para as massas populares de que tudo está certo, agora o país encontrou o rumo com todas as forças juntas. Lembro-me que até o PCdoB, partido da outrora guerrilha do Araguaia, se transformou em “Fiscal do Sarney” para combater o aumento dos preços nos supermercados. Veja o que acordão fez: até Sarney virou, num lapso de tempo, timoneiro dos setores mais reformistas da esquerda brasileira, tudo em nome da união nacional!

Nada disso vale a pena, não criamos as condições objetivas para demarcar um espaço à esquerda, uma frente de verdade na qual fosse aliada a classe trabalhadora como um todo, com os setores nacionalistas e progressistas da época. Mas não. Parte considerável foi confiar em todos, o pragmatismo venceu e o resultado é este que observamos: um quadro político no qual podemos ir para um recrudescimento perigoso. As turbas fascistas, ao que parece, estão preparadas para um confronto que possa levar este país para um “estado de sítio” e posterior golpe civil-militar.

Os setores da imprensa — não os seus jornalistas (em sua grande maioria, são profissionais sérios e comprometidos com a liberdade), falo dos donos — estão comprometidos com o mercado, nunca que vão chegar para apoiar nossas teses. Que ilusão é essa? Nunca ouviram falar na luta de classes, companheiros?

Pois é, a burguesia ensina desde há muito tempo que isso é criação dos comunistas; as igrejas imploram para não divulgar; nas escolas ensinam o jovem a ser tudo, menos que ele é explorado porque existe uma luta inconciliável na sociedade entre burgueses e trabalhadores. Muita inocência achar que uma Rede Globo, ou Band, ou Record fossem dar destaque às manifestações do dia 13 de agosto ou a outras recentes. Se pudessem negá-las, eles negariam sem nenhum pudor!

Por isso, é necessário criarmos uma imprensa popular. Sério mesmo, tivemos todas as chances de criar uma cultura contra esse monopólio da burguesia nos meios de comunicações, mas teve figurão do PT que dizia a Rede Globo era deles, do governo Lula, vai entender a compreensão desses caras. Na hora dos interesses de classes mesmo, veja aonde o Lula foi parar e qual foi à posição “da nossa Rede Globo”!

*Nivaldo Mota é 1º diretor-secretário do Sinpro/AL

**Os textos publicados na seção Artigos são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião da Contee

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