Fiesp enrola, Centrais se posicionam

Paulo Skaff, da Fiesp, teve uma crise de soluço e não conseguiu emitir a Nota cantada em verso e prosa pelos colunistas dos jornalões no final de semana. Já as Centrais Sindicais publicaram hoje (30) a Nota “Resgatar o Brasil para os brasileiros” – posicionamento pela real Independência nacional, que se comemora a 7 de Setembro.

O documento não polemiza a questão dos atos pró ou contra Bolsonaro. Mas, diferente da Fiesp, chama atenção para a gravidade da crise atual e denuncia as ameaças do Presidente Jair Bolsonaro ao atiçar suas falanges para manifestações do dia 7.

Semana passada, Bolsonaro exaltou quem compra fuzil. No domingo, com fuzis e coletes, criminosos fortemente armados assaltaram agências bancárias em Araçatuba (SP), fizeram reféns, explodiram bombas e barbarizam a cidade.

A Nota das Centrais sai em meio à indefinição da Fiesp, cujo presidente, Paulo Skaff, chegou a publicar esboço de Nota pedindo “harmonia entre os Poderes”. A Nota, no entanto, foi suspensa por pressões palacianas, tudo indica.

Parte do empresariado perde a paciência frente aos arroubos do Presidente, que não tem endosso de seu vice, Hamilton Mourão.

LIMITE – “Vivemos no limiar de grave crise institucional. A aparente inabilidade instalada no Planalto, que acirra a desarmonia entre os Poderes, saídas golpistas. Quem mais sofre é o povo trabalhador, cada vez mais empobrecido e excluído, e cada vez mais dependente de programas sociais que, contraditoriamente, encolhem”, diz o texto.

A ÍNTEGRA:

O Brasil atravessa um dos momentos mais difíceis da nossa história desde a declaração de independência, em 7 de setembro de 1822.

São quase 15 milhões de desempregados, seis milhões de desalentados, seis milhões de inativos que precisam de emprego e mais sete milhões ocupados de forma precária. Inflação alta, carestia e fuga de investimentos. Aumento da fome e da miséria, crescimento da violência, insegurança alimentar e social. Escalada autoritária e uma calamitosa gestão da pandemia do coronavírus. Sem falar nas crises ambiental, energética, entre outras.

Ao invés de agir pra resolver os problemas, que são decorrentes ou agravados pelo caos político que se instalou em Brasília na atual gestão, o governo os alimenta e os utiliza pra atacar os direitos trabalhistas, precarizando ainda mais o já combalido mercado de trabalho.

O próprio Presidente se encarrega de pessoalmente gerar confrontos diários, criando um clima de instabilidade e uma imagem de descrédito do Brasil. E ele ainda tem o desplante de culpar as medidas de contenção do vírus pelo fechamento de postos de trabalho, ignorando que a pandemia já matou precocemente quase 600 mil brasileiros!

Ninguém aguenta mais. Vivemos no limiar de uma grave crise institucional. A aparente inabilidade política instalada no Planalto, que acirra a desarmonia entre os Poderes da República, esconde um comportamento que visa justificar saídas golpistas.

Quem mais sofre com essa situação dramática é o povo trabalhador, cada vez mais empobrecido e excluído, e cada vez mais dependente de programas sociais que, contraditoriamente, encolhem.

O País não pode ficar à mercê das ideias insanas de uma pessoa que já demonstrou total incapacidade política e administrativa e total insensibilidade social. É preciso que o Legislativo e o Judiciário, em todos os níveis, os governadores e prefeitos, tomem a frente de decisões importantes em nome do Estado de Direito, não apenas pra conter os arroubos autoritários do Presidente, mas também que disponham sobre questões urgentes como geração de emprego decente, a necessidade de programas sociais e o enfrentamento correto da crise sanitária.

Esse movimento dever ser impulsionado pela sólida união dos trabalhadores e suas entidades representativas, bem como por todas as instituições democráticas, a sociedade civil organizada, enfim, todos os cidadãos que querem redirecionar nosso País pra uma trajetória virtuosa em benefício do povo. Para isso precisamos, antes de tudo, lutar contra o desgoverno que ocupa a presidência da República!

Que a Semana da Pátria consagre, pela via da luta firme e decidida de todo povo, um Brasil que quer seguir como Nação democrática, plural, terra de direitos, capaz de pavimentar um futuro de liberdade, soberania, justiça e cidadania para todos!

São Paulo, 30 de agosto de 2021

Sérgio Nobre, CUT; Miguel Torres, Força Sindical; Ricardo Patah, UGT; Adilson Araújo, CTB; José Reginaldo Inácio, Nova Central; Antonio Neto, CSB; Atnágoras Lopes, CSP-Conlutas; Edson Carneiro Índio, Intersindical; José Gozze, Pública, Central do Servidor; e Emanuel Melato, Intersindical instrumento de Luta.

Da Agência Sindical

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