SHARE

A proposta de reforma da Previdência, os cortes de verbas nas universidades públicas e o cancelamento de mais de 3 mil bolsas de pesquisa anunciados pelo Governo Bolsonaro levaram à greve da Educação neste dia 15, atos públicos de protesto nos 26 estados e no Distrito Federal e a inúmeras manifestações nas redes sociais. Os protestos estavam agendados desde fevereiro e tinham como alvo a reforma da Previdência. O movimento passou a integrar os preparativos para a greve geral em defesa da aposentadoria, dia 14 de junho. “A partir de agora, vai ser assim: com luta, com rua, com mobilização do povo brasileiro contra esse governo, em favor do Brasil, rumo à greve geral”, saudou o coordenador-geral da Contee, Gilson Reis.

Nos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro se limitou a taxar os manifestantes de “idiotas” a serviço “de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil”. O prédio do Ministério da Educação (MEC) amanheceu cercado por homens da Força Nacional de Segurança Pública, subordinada ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, e emitiu nota dizendo que está “aberto ao diálogo”. Na unidade de Osasco da Universidade Federal de São Paulo, onde o ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi professor até o ano passado, estudantes realizaram panfletagem pela manhã.

Diversos protestos aconteceram em todo o país contra a reforma da Previdência, em defesa da educação e contra os cortes de verbas no setor. São mais de 7 bilhões de reais congelados em todos os níveis educativos, incluindo o não repasse de 30% do orçamento das instituições de ensino superior. Em Belo Horizonte, calcula-se que 200 mil pessoas realizaram ato e caminhada no centro da cidade – “a maior manifestação de Minas nos últimos 30 anos”, comentou Gilson. Outros protestos são esperados para o período da tarde em São Paulo, no Rio de Janeiro, Porto Alegre e outras capitais. No Rio, está prevista uma caminhada até a Central do Brasil.

Desde de 30 de abril, quando o ministro Weintraub disse que cortaria recursos de universidades que promovessem “balbúrdia”, aprofundou-se a mobilização sindical e estudantil, enquanto a direita promovia mentiras (fake news) nas redes sociais, ridicularizando o ensino. Weintraub afirmou, no dia 14, ser favorável até à entrada da polícia nas universidades. “Autonomia universitária não é soberania”, disse, e condicionou a liberação dos recursos bloqueados à aprovação da reforma da Previdência e não descartou novos cortes. As entidades dos trabalhadores e dos estudantes, em resposta ao governo e às fake news, passaram a divulgar as verdadeiras atividades nas instituições de ensino – pesquisa, aulas e civilidade.

Todos os partidos da oposição apoiaram o movimento, com parlamentares participando de vários atos públicos. Além da União Nacional dos Estudantes (UNE), a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), também as principais universidades estaduais de São Paulo (USP, Unicamp e Unesp), universidades federais e trabalhadores dos estabelecimentos particulares de ensino participaram das mobilizações (veja matéria neste portal).
Insatisfeitos com a relação de Bolsonaro com o Congresso, a oposição e parlamentares do chamado Centrão (entre eles PP e MDB), aprovaram por 307 votos a 82 a proposta do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) de convocar o ministro dar explicações na Câmara hoje, 15, às 15h.

Por Carlos Pompe

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here