Sindicalistas discutem ação conjunta contra o crime da Vale em Brumadinho

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Nesta segunda-feira, 28, a Contee se reuniu, em Belo Horizonte, com centrais sindicais e entidades estaduais, regionais e municipais de trabalhadores para debater formas de solidariedade e de ação em resposta ao crime perpetrado pela Vale do Rio Doce dia 25 em Brumadinho, Minas Gerais, “que tem alcance multilateral. A empresa é reincidente em não investir em segurança ambiental e de trabalho, manutenção e fiscalização, como demonstra o até hoje impune caso de Mariana, há três anos. O sistema jurídico favorece os empresários, que sempre se valem de manobras e recursos para não pagar multas, não ser criminalmente responsabilizados e continuar a agredir a natureza, a população, os assalariados. A Contee tem consciência de que o que ocorreu em Brumadinho exige do movimento sindical a luta pela reconquista e ampliação dos direitos trabalhistas”, afirmou o coordenador-geral da Contee, Gilson Reis.

Os sindicalistas denunciaram que, para além do desprezo com a vida de seus funcionários diretos, a Vale explora trabalhadores também através da terceirização, de jornadas de trabalho extenuantes, trabalho intermitente etc. Um dos trabalhadores mortos estava em uma reunião na empresa em seu dia de folga…

Foi destacado que os acidentes e violações das leis – trabalhistas inclusive – aumentaram na Vale depois que a empresa foi privatizada, entregue à sanha dos grandes empresários, em 1977. Ao contrário das propostas apresentadas pelo movimento sindical para garantir a saúde e os direitos dos trabalhadores, a reforma trabalhista – aprovada com o voto dos Bolsonaros –, o fim do Ministério do Trabalho e a pretensão do atual governo de acabar com a Justiça do Trabalho e com a fiscalização trabalhista e ambiental agravam ainda mais a relação dos assalariados e das comunidades com os exploradores.

Após a reforma trabalhista, a indenização por danos morais aos trabalhadores vítimas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, está limitada a 50 vezes o salário que recebiam atualmente. Antes, essa indenização poderia ser maior. Com a nova regra, a vida do trabalhador é “precificada” pelo valor do salário por ele recebido.

“Manifestamos nossa solidariedade aos familiares dos trabalhadores mortos e desaparecidos e aos que viram soterrados pela lama da Vale seus bens e meios de vida. O momento é de luto e de luta pela dignidade humana e defesa do meio ambiente”, pontuou Gilson.

Veja pronunciamento do coordenador-geral da Contee após a reunião:

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