25 de Abril não é apenas memória…  é permanência, é pulsação, é chamado

Por Cristina Castro

Em Revolução dos Cravos, Portugal devolveu ao mundo a prova de que o povo, quando se levanta, reescreve a história com as próprias mãos. Não foi apenas o fim de uma ditadura; foi o reencontro com a dignidade, com a palavra livre, com a possibilidade de existir sem medo. Foi o abrir das janelas depois de décadas de silêncio imposto.

E é impossível não sentir  profundamente  o que isso significa para quem vem de outras travessias, como o Brasil, que também conheceu o peso da censura, da repressão e da tentativa de domesticar sonhos. Olhar para o 25 de Abril desde essa história partilhada é reafirmar: a democracia não é herança garantida, é construção diária, é disputa permanente.

Como canta Chico Buarque:

“Foi bonita a festa, pá, fiquei contente…”

Mas a beleza da festa não nos pode fazer esquecer: ela só existe porque houve luta. E só permanece porque continua a haver.

Do 25 de Abril, seguimos para Angola, outro território profundamente marcado por esse mesmo marco histórico, que abriu caminhos para a independência e para novos horizontes. Mas caminhos não se sustentam sozinhos. Exigem compromisso, responsabilidade pública e um projeto real de desenvolvimento que alcance todo o povo.

Participar da primeira convenção da CPLP Sindical da Educação, partindo de Portugal após o 25 de abril, carrega um significado. Não é um gesto simbólico apenas,  é uma tomada de posição. É afirmar o direito à  educação e que a educação não pode ser mercadoria. Que não está à venda. Que não pertence ao mercado, mas aos povos.

Defendemos uma educação: que emancipa,
que liberta,
que humaniza,
que constrói consciência crítica,
que fortalece a soberania.

Num mundo atravessado pelo ódio, pelo avanço de projetos autoritários e pelas múltiplas formas de imperialismo que tentam submeter povos e apagar identidades, a educação torna-se trincheira e também ponte.

Trincheira contra a desigualdade.
Ponte para um futuro mais justo.

Reafirmamos, portanto, um compromisso que não é abstrato: defender o Estado democrático de direito,
defender a liberdade de pensamento,
defender o conhecimento como ferramenta de transformação,
defender a dignidade humana como princípio inegociável.

Porque 25 de Abril não terminou em 1974.

Ele continua,
em cada sala de aula,
em cada educador e educadora,
em cada povo que insiste em ser livre, para que, em cada esquina só haja amigos e, em cada rosto, igualdade.

*Cristina Castro é coordenadora da secretaria de Relações Internacionais

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