Contee reúne diretoria executiva e comemora 35 anos com live

Os 35 anos da Contee foram celebrados na última sexta-feira (20) em uma live que falou das origens e lutas da Confederação. Foi um momento de relembrar o sentido histórico da entidade e os desafios que se colocam neste novo período.
“A Contee nasce em um período importante da vida brasileira. O país vivia a transição da ditadura para a democracia. Era um tempo de reconstrução das liberdades, mas também de reorganização da classe trabalhadora”, afirmou o professor Railton Nascimento, coordenador-geral da entidade, em sua fala de abertura.
Foi um momento de ausência real de representação para os trabalhadores e trabalhadoras da educação privada. “A Contee surge como resultado de um processo coletivo, construído por federações e sindicatos que compreenderam que era necessário criar uma entidade com identidade própria, com capacidade de luta e com compromisso real com a categoria.”
Os 35 anos foram de muitas batalhas. Railton destacou diversas frentes de luta da entidade durante o período, como a defesa das convenções coletivas, o enfrentamento à precarização do trabalho docente, a luta por valorização profissional e a defesa da educação como direito social, e não como mercadoria.
O contexto atual não é menos desafiador. “É fundamental destacar um dos principais desafios do nosso tempo: a pejotização. A tentativa de transformar professoras e professores em pessoas jurídicas não é apenas uma mudança contratual. É uma estratégia de retirada de direitos, de enfraquecimento da organização coletiva e de desresponsabilização das instituições de ensino”, afirmou, destacando que a Contee tem se colocado com firmeza no enfrentamento da prática.
O dirigente também reafirmou a agenda prioritária da entidade: a valorização dos professores e técnicos administrativos da educação privada, o combate à precarização do trabalho, a regulamentação responsável da educação a distância, o fortalecimento do Plano Nacional de Educação, a consolidação do Sistema Nacional da Educação e a garantia de condições dignas de trabalho e ensino em todo o país.
“Estamos falando de um projeto de sociedade, porque defender a educação é defender a democracia, o desenvolvimento e a justiça social”, concluiu.
Celso Napolitano, coordenador da Secretaria de Finanças, relembrou o período anterior à fundação da Contee. “Em 1988, por iniciativa do Sinpro SP, houve um primeiro Encontro Nacional Intersindical dos Trabalhadores em Educação, que foi o embrião da formação da Contee. Foi lá que estabelecemos conversas e negociações e tratativas com todas as representações sindicais do Brasil, de todos os matizes políticos, para que a gente desse um basta à representação fictícia que havia da confederação então representante de trabalhadores e trabalhadoras em educação e cultura.”
Celso, que está à frente da Secretaria de Finanças, destacou o desafio que é coordenar a secretaria em um momento difícil pós-reforma trabalhista. “Foi um desmonte da CLT. Mais de 200 artigos foram riscados, principalmente atentando contra a soberania financeira das entidades sindicais, sobretudo as de grau superior, federações e confederações.”
Mesmo com as dificuldades, ele considera que a Contee tem sido vitoriosa. “Temos participação em todos os órgãos do movimento sindical e na própria administração, tanto executivo quanto legislativo, fazendo com que a vontade dos professores, professoras, técnicos e técnicas administrativos sejam colocados em todos os níveis. Tenho um orgulho tremendo de participar desse colegiado que é a diretoria executiva da Contee com os companheiros e companheiras que dele fazem parte.”
A coordenadora da Secretaria de Relações Internacionais, Cristina Castro, enfatizou a atuação da Contee em âmbito internacional. “Sabemos o quanto tem sido importante a atuação da Contee junto aos trabalhadores e trabalhadoras de educação dos países que acompanhamos, entendendo, conhecendo e trocando experiências sobre a importância da defesa da educação pública laica, de qualidade, que assegure a soberania dos países, o desenvolvimento e o respeito a todos os povos.”
Ela lembrou que, desde a fundação, a Contee teve o compromisso da política internacional. Hoje, a confederação é filiada à CEA (Confederação de Educadores Americanos), à CPLP – Sindical da Educação (Confederação Sindical de Países de Língua Portuguesa) e à Internacional da Educação.
Valéria Morato, coordenadora da Secretaria de Relações com Movimentos Sociais e Sindicais, destacou o papel da Contee como “ponte inquieta” entre a categoria da educação e as lutas sociais do povo brasileiro.
Para Valéria, se unir a essas lutas é afirmar que a educação não é um serviço e nem mercadoria, e sim um direito e bem público. “Nesses 35 anos, levamos para as ruas, para as assembleias e para os ministérios uma convicção: não há como separar a luta por educação de qualidade da luta para que os trabalhadores da educação possam viver e trabalhar com dignidade. Lutar contra a precarização é lutar para que os estudantes tenham acesso ao conhecimento libertador.”
“Se chegamos até aqui, é porque nunca, jamais, acreditamos que a nossa luta sindical pudesse ser uma luta isolada. Nossa articulação com os movimentos sociais é a prova de que o sindicalismo que acreditamos não é aquele que olha apenas para si. É um sindicalismo de causa, que caminha ao lado das lutas por democracia, por direitos, por justiça social.”
Marta Maria de Andrade Cerqueira, coordenadora da Secretaria de Formação da Contee, afirmou que a Confederação foi construída com muita luta e compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras. “É fruto da força coletiva dos sindicatos, das federações, da liderança e principalmente da base, que acredita que a transformação da sociedade passa pela organização da classe trabalhadora.”
Ela destacou a importância da formação sindical e política nesse contexto. “Formar é fortalecer o movimento, criar espaço de reflexão, de trocas de experiências, de construção de consciência crítica e de formação de novas lideranças”, disse, ressaltando que é essencial garantir que os jovens trabalhadores da educação se aproximem do movimento sindical, ocupando espaços de luta. “Celebrar os 35 anos da Contee é celebrar nossa história, mas reafirmar o nosso compromisso com o futuro.”
O coordenador da Secretaria de Comunicação Social, Leandro Batista, relembra que os sindicatos representativos dos técnicos administrativos de Minas Gerais também estiveram presentes no Congresso de fundação da confederação. “É muita alegria estarmos aqui, à frente de uma secretaria tão importante, que tem a responsabilidade e o compromisso de levar informação às nossas entidades. Informações das nossas lutas, dos nossos direitos e de tudo que a gente tem conquistado.” Ele destacou o papel decisivo que a Comunicação cumpre no movimento sindical. “Nossa comunicação é referência para as entidades e para a sociedade.”
Edilene Arjoni, coordenadora da Secretaria da Mulher, falou do desafio que é estar à frente da secretaria em um momento de epidemia de violência contra a mulher. “Nosso trabalho tem que ser muito bem pensado no combate e na violência”, afirmou. “A prevenção começa na escola, na educação, na criação das crianças e na formação dos jovens por uma sociedade mais humana e harmoniosa em que as mulheres possam viver em paz.” Ela destacou a força do trabalho conjunto dentro da Contee: “É o que torna grandioso. Uma Contee unida, forte e trabalhadora. Estamos juntos e juntas na mesma luta”.
Madalena Guasco, que já foi coordenadora-geral da Contee e é a atual coordenadora da Secretaria de Assuntos Educacionais, recuperou vitórias importantes da história da entidade, como a participação na elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, dos debates dos três planos nacionais de Educação e a organização de forma ativa de todas as conferências de Educação.
Ela ainda lembrou que a Contee foi a entidade propositiva do Fórum Nacional de Educação, do qual faz parte desde sua criação. Além disso, foi decisiva na elaboração do Sistema Nacional de Educação Superior, sendo membro representante dos docentes da educação privada na Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior desde seu início.
“Nossa atuação é marcada pela defesa da universalização da educação pública democrática e de qualidade social. Representamos os trabalhadores e trabalhadoras da educação privada com a convicção de que a educação privada deve ser um direito democrático, deve cumprir seu papel social e deve ser regulamentada para cumprir esse papel”, concluiu.
Por Andressa Schpallir




