Sob Bolsonaro, União é denunciada por 200 mortes em teste na pandemia
Denúncia do MPF atinge outros dois médicos por uso de medicamento indicado para câncer de próstata e sem eficácia comprovada contra a covid-19
Ministério Público Federal denunciou a Uião, sob o governo Bolsonaro, e os médicos Flávio Cadegiani e Daniel do Nascimento Fonseca, por irregularidades em um estudo conduzido durante a pandemia de covid-19 no Amazonas. As informações são do UOL.
Segundo o MPF, o experimento resultou em 200 mortes entre 645 participantes, cerca de 30% do total, e pode configurar crimes contra a humanidade.
A pesquisa utilizou a proxalutamida, medicamento indicado para câncer de próstata e sem eficácia comprovada contra a covid-19. Embora autorizada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, o MPF afirma que o protocolo foi alterado, com ampliação do número de pacientes e inclusão de casos graves, inicialmente não previstos.
O estudo também teria sido transferido de Brasília para o Amazonas e realizado em hospitais sem estrutura adequada. A denúncia aponta omissão de riscos no consentimento, falha na comunicação de mortes e divergência de dados divulgados.
Entre as práticas citadas está a nebulização de hidroxicloroquina, classificada como procedimento experimental de alto risco. Para o MPF, o caso funcionou como um “laboratório humano” com graves violações éticas.
Os resultados foram apresentados em 2021 como promissores e repercutiram entre autoridades. Segundo a denúncia, a divulgação contribuiu para a valorização de ações da fabricante da droga, que chegaram a subir mais de 300%. O MPF pede indenização de R$ 85 milhões.





