Como atentados (ou supostos atentados) são usados pela extrema direita para acabar com as democracias
Episódio envolvendo Trump em Washington é um entre tantos que ajudaram no projeto de poder autoritário, desde Hitler e passando por Bolsonaro
O episódio envolvendo Donald Trump, durante um jantar com jornalistas em Washington, ocorre em um momento de baixa popularidade do ex-presidente e de cenário adverso para o Partido Republicano, que enfrenta risco concreto de perder maioria na Câmara e no Senado nas eleições de novembro. O caso reabre o debate sobre atentados — ou supostos atentados — que marcaram a atuação da extrema direita ao longo da história recente. Não há casos notórios equivalentes que tenham beneficiado a esquerda de forma comparável. Não se trata aqui de endossar teorias conspiratórias, mas de observar que, em diversos contextos, esses episódios foram usados politicamente para empoderar lideranças e justificar medidas que tensionam ou violam garantias democráticas.
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu na Alemanha, em 1933, com o incêndio do Reichstag. O episódio aconteceu poucas semanas após Adolf Hitler assumir o cargo de chanceler, em janeiro daquele ano. Embora o Partido Nazista já estivesse formalmente no poder, foi após o incêndio que se iniciou, de forma decisiva, a consolidação de um regime autoritário.





