Dirigente da Secretaria de Ensino de São Paulo apresenta Hitler como exemplo de liderança
Uma dirigente da Unidade Regional de Ensino (URE) de Mogi das Cruzes, vinculada à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), apresentou Adolf Hitler, Benito Mussolini e António de Oliveira Salazar como referências de liderança em uma reunião virtual com cerca de 32 diretores de escolas da rede estadual.
O episódio ocorreu em 12 de agosto e veio a público na terça-feira, 25 de agosto, depois que trechos da reunião foram divulgados pela mídia. Na gravação, ao tratar do conceito de liderança, a dirigente afirmou que a leitura de biografias de ditadores é estimulante e chegou a classificar Hitler como um “líder excepcional”, citando ainda o livro Mein Kampf como exemplo de capacidade de convencimento.
Diante da repercussão, a Seduc-SP determinou o afastamento de Roselaine Batalha Silva da função e informou que abriu apuração para verificar as circunstâncias das declarações, que, segundo a pasta, não representam o posicionamento institucional do governo estadual.
Para a Contee, não há ambiguidade possível quando se trata do nazismo. Hitler foi o responsável direto pelo extermínio de milhões de judeus e outras vítimas do Holocausto. Sua obra permanece associada, em qualquer contexto educativo sério, ao horror do genocídio e não a um modelo de gestão a ser emulado.
Tratar essa trajetória como fonte de inspiração para diretores de escolas públicas revela um problema que vai muito além de um deslize individual: expõe a fragilidade do compromisso da gestão educacional paulista com os valores democráticos que deveriam orientar a formação de crianças e jovens. É um estilo de gestão que trata a hierarquia como substituto do diálogo dentro do ambiente educativo.
A Contee também manifesta solidariedade aos professores e demais trabalhadores da educação da rede estadual de São Paulo que cotidianamente enfrentam relações de trabalho marcadas por autoritarismo.
Por Andressa Schpallir




