Raimundo Pereira: o jornalismo como ato de resistência

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) manifesta seu pesar pelo falecimento do jornalista Raimundo Pereira, ocorrido em 2 de maio de 2026, aos 85 anos, no Rio de Janeiro. Raimundo foi uma importante figura na história da imprensa brasileira e um dos mais importantes nomes do jornalismo de resistência durante a ditadura militar.

Expulso do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1964 em razão de suas atividades políticas, Raimundo escolheu o jornalismo como bandeira de luta pela democracia. Sua trajetória profissional marcou gerações: trabalhou em revistas como Realidade e Veja, onde ajudou a construir uma linguagem inovadora e investigativa. Foi na revista Realidade que produziu, em 1971, a edição especial “Amazônia”, trabalho que lhe rendeu o Prêmio Esso e que permanece como referência do jornalismo de profundidade no Brasil.

Raimundo também trabalhou no jornal Opinião e teve importante papel na criação do Movimento, um dos mais importantes veículos de oposição ao regime militar. O jornal Movimento nasceu como um “jornal sem patrões”, financiado por cotas e sustentado por uma ampla rede de colaboradores, jornalistas, intelectuais, sindicalistas e militantes dos movimentos sociais, tornando-se um dos pilares da imprensa de resistência. Também esteve à frente de projetos como Retratos do Brasil e a revista Reportagem, sempre com o objetivo de compreender o Brasil em profundidade e dar voz aos silenciados.

A Contee reconhece em Raimundo Pereira um educador no sentido mais amplo do termo. Sua obra contribuiu para formar gerações de cidadãos capazes de pensar criticamente a realidade, de questionar o poder e de compreender que a informação é um instrumento de transformação social. Sua vida foi dedicada à defesa das liberdades democráticas, do direito à organização social e da dignidade humana.

Seu legado não está apenas nos textos ou nas publicações, mas na ideia de que o jornalismo pode ser, ao mesmo tempo, rigoroso e comprometido, crítico e transformador. Em tempos de desinformação e de crise no jornalismo, sua trajetória se torna ainda mais necessária e sua ausência, ainda mais sentida.

A Contee expressa suas condolências à família de Raimundo Pereira e a todos que com ele aprenderam que informar é, também, um ato de resistência.

Brasília, 04 de maio de 2026

Diretoria da Contee

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