Cuba vai à ONU e pede solidariedade contra ameaças dos EUA
Chanceler Bruno Rodríguez denunciou cerco energético, sanções e risco de agressão militar, afirmando que bloqueio imposto por Washington ameaça provocar catástrofe humanitária
O governo de Cuba denunciou nesta terça-feira (26) no Conselho de Segurança da ONU o agravamento das ameaças dos Estados Unidos contra a ilha e alertou para o risco de uma catástrofe humanitária provocada pelo endurecimento do bloqueio econômico e energético imposto por Washington.
“Faço um apelo à comunidade internacional para que se mobilize para evitar uma catástrofe humanitária que poderia ser imposta pela via das armas ou pelo bloqueio de combustível”, disse o chanceler.
Durante discurso em Nova York, o chanceler cubano Bruno Rodríguez afirmou que o cerco norte-americano já produz impactos severos sobre a população e acusou o governo Donald Trump de estimular um cenário de escalada militar e tentativa de mudança de regime em Havana.
Rodríguez declarou que Cuba enfrenta uma situação crítica marcada por apagões prolongados, escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos, além do agravamento das condições sociais provocado pelas sanções norte-americanas.
Segundo o chanceler, o “cerco energético” imposto pelos Estados Unidos produz efeitos equivalentes a um bloqueio naval e constitui “um ato de guerra e genocídio” contra o povo cubano.
O discurso ocorreu durante o debate do Conselho de Segurança sobre a defesa dos princípios da Carta das Nações Unidas e do sistema multilateral centrado na ONU.
Rodríguez afirmou que não seria possível discutir a preservação da paz internacional sem mencionar “o genocídio contra a Palestina”, a “agressão imperialista contra o Irã” e as ameaças contra Cuba.
O chanceler também pediu mobilização internacional para impedir uma escalada militar contra a ilha. Segundo ele, uma eventual agressão norte-americana “provocaria um banho de sangue”, com milhares de cubanos mortos na defesa do país e jovens estadunidenses enviados a uma guerra “sem causa nem ideal”.
“O presidente que emitisse tal ordem de ataque militar […] entraria para a história como criminoso de guerra”, completou.
A intervenção cubana ocorre em meio à ampliação da pressão política dos Estados Unidos sobre Havana após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e o aumento das tensões regionais envolvendo governos alinhados a Washington.
Nos últimos dias, Donald Trump voltou a fazer declarações insinuando a possibilidade de uma intervenção contra Cuba.
Segundo Rodríguez, antigos governos norte-americanos cogitaram ações semelhantes, mas o atual presidente “parece disposto a executá-las”.
Na semana passada, Washington também intensificou a ofensiva judicial contra dirigentes históricos da Revolução Cubana ao apresentar denúncia criminal contra o ex-presidente Raúl Castro, acusado pela morte de cidadãos estadunidenses na derrubada de aviões em 1996.
O chanceler cubano classificou a medida como “moralmente infame” e “juridicamente arbitrária”, acusando os EUA de manipular fatos históricos para justificar uma futura aventura militar contra a ilha.
Rodríguez afirmou que a acusação busca criar apoio interno e internacional para uma política de “mudança de regime”, estratégia que, segundo Havana, continua sendo o objetivo central da política externa dos Estados Unidos para Cuba.
O chanceler também denunciou o uso de sanções secundárias para pressionar outros países e empresas a aderirem ao bloqueio econômico contra a ilha.
Durante a sessão, o representante cubano reiterou que Havana continua disposta a manter negociações bilaterais com Washington, desde que não haja interferência nos assuntos internos do país.
Ele citou possíveis áreas de cooperação, como combate ao narcotráfico, terrorismo, crime transnacional e migração. Ainda assim, afirmou que Cuba não aceitará pressões externas sobre seu sistema político ou sua soberania nacional.
Rodríguez também apelou diretamente à população dos Estados Unidos, especialmente aos jovens, para que rejeitem a política de agressão contra Cuba.
Segundo ele, a escalada atual é impulsionada por uma “camarilha elitista e poderosa de Miami” que não representa nem o povo norte-americano nem a maioria dos cubanos residentes nos EUA.
Ao encerrar o discurso, o chanceler afirmou que chegou “o momento da solidariedade com Cuba” e pediu que os países do Sul Global construam uma resposta coletiva diante das pressões de Washington.
Ele também defendeu o fortalecimento do multilateralismo e elogiou o papel da China na defesa da paz internacional e da reforma democrática das Nações Unidas.
Por Lucas Toth





