Brasil e China fazem parceria na educação
O Brasil e a China firmaram acordo de cooperação para introduzir inteligência artificial na educação brasileira, com desenvolvimento conjunto de tecnologias pedagógicas, criação de mecanismo de diálogo ministerial permanente e oferta de bolsas de estudo anuais para brasileiros pelo governo chinês. Os memorandos foram assinados durante a 4ª Conferência Mundial de Educação Digital, realizada entre os dias 11 e 13 de maio de 2026 em Hangzhou, cujo tema central foi “AI + Educação: Transformação, Desenvolvimento e Governança”.
O secretário de Gestão da Informação, Inovação e Avaliação de Políticas Educacionais do MEC, Evânio Araújo, representou o Brasil no evento e negociou as bases do acordo com o governo chinês. As medidas estabelecidas se organizam em três eixos principais.
O primeiro prevê a criação de um mecanismo de diálogo ministerial com reuniões periódicas entre os dois países. O segundo garante a oferta anual de pelo menos 30 bolsas de estudo para brasileiras e brasileiros pelo governo chinês. O terceiro abrange o desenvolvimento de tecnologias pedagógicas com aplicação de inteligência artificial no setor educacional.
A comitiva brasileira também participou da inauguração do Laboratório de Aviação Verde na Universidade de Beihang, estruturado em parceria com a Universidade de São Paulo. O espaço abriga o Centro Brasil Beihang e laboratórios conjuntos de ciência e inovação. A delegação esteve ainda na Universidade A&F Zhejiang, que já mantém parcerias com 19 universidades brasileiras.
Em declaração à imprensa, Araújo afirmou que as discussões refletem as prioridades brasileiras no campo da inteligência artificial, com consenso entre as delegações sobre a necessidade de usar a tecnologia para fomentar a criatividade, o pensamento analítico e a interdisciplinaridade. O secretário também defendeu a criação de mecanismos de governança que assegurem segurança e privacidade de dados nos sistemas educacionais.
O acordo com a China ocorre no momento em que o país asiático acelera sua estratégia nacional para a área. Em abril deste ano, o governo chinês lançou o plano nacional “AI+Educação”, uma estratégia de Estado publicada conjuntamente pelo Ministério da Educação da China e outros quatro órgãos ministeriais.
A meta chinesa é estabelecer, até 2030, um sistema abrangente de educação em IA que cubra todos os níveis de ensino no país, da educação básica à formação continuada, estendendo-se também ao público em geral. O plano prevê a incorporação da IA nos currículos escolares e a criação de um padrão nacional de literacia em IA para professoras e professores, com o tema incluído nos exames de qualificação e certificação docente. Está prevista ainda a construção de uma Plataforma Nacional de Serviços de Computação Inteligente para a Educação na China.
As parcerias comerciais e tecnológicas mais amplas entre os dois países, como o protocolo de intenções assinado em abril de 2026 entre o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, o Serpro e a empresa chinesa de inteligência artificial iFlytek, compõem o contexto geral da relação bilateral. É no campo da educação, porém, que os acordos mais recentes trazem implicações diretas para o futuro do ensino e para as trabalhadoras e os trabalhadores da educação no Brasil.
O desafio que se coloca é construir, no Brasil, uma política própria para a educação digital que articule inovação tecnológica com valorização profissional, financiamento público e compromisso com a justiça social, alinhada às diretrizes que emergem da parceria com a China.
Nesse cenário, cabe às entidades sindicais da educação, como a CONTEE, contribuir com esse debate e garantir que a voz das trabalhadoras e dos trabalhadores seja ouvida na construção de uma política educacional digital democrática e soberana, assegurando que o caráter humano do processo educativo e a autonomia pedagógica sejam preservadas como princípios inegociáveis.
Por Antônia Rangel





