O que será de nós
Por: Heleno Araujo Filho (*) – Jornal Brasil Popular/PE
Ouvindo a música “Contos da Lua Vaga”, composta por Beto Guedes e Márcio Borges, fui levado a uma reflexão sobre humanismo, esperança e a importância de mantermos valores essenciais — como a verdade e o afeto — diante das dificuldades do mundo. Um verso, em especial, me tocou: “O que será de nós, se estivermos cansados da verdade e do amor?“. Um questionamento ético e poético que nos convida a pensar sobre união, esperança e resistência.
No momento que ouvi essa frase, pensei imediatamente no segundo turno das eleições para a Presidência do nosso País. E a pergunta da música provocou em mim outas perguntas. Todas elas relacionadas a algo indispensável à democracia: a verdade.
Quando conheceremos toda a verdade sobre o caso das chamadas “rachadinhas” envolvendo Flávio Bolsonaro, investigado por suspeitas de recolhimento ilegal de parte dos salários de assessores quando exercia o mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro?
Quando será completamente esclarecida a verdade sobre a compra, por Flávio Bolsonaro, de uma mansão em Brasília, de 2,4 mil metros quadrados, por R$ 6 milhões? A aquisição foi financiada pelo Banco de Brasília (BRB), com prazo originalmente previsto de 30 anos, mas foi quitada em somente três anos. Para se ter ideia, em 2021, quando foi comprada a mansão, o Senador recebia mensalmente R$ 25 mil líquidos. Ou seja, se todo o seu salário fosse usado, seriam necessários 240 meses (20 anos) para quitar essa mansão, isso sem considerar juros, inflação ou impostos.
Quando virá à tona toda a verdade sobre a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master? A Polícia Federal investiga as tratativas relacionadas ao financiamento, envolvendo repasses milionários, da cinebiografia “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e documentos tornados públicos apontam Flávio como interlocutor direto de Vorcaro nas negociações. Qual era, afinal, a extensão dessa relação entre eles?
Também foi revelado que Flávio Bolsonaro viajou, em janeiro de 2025, dos Estados para o Brasil em um jato Legacy 650 que tinha entre seus proprietários uma empresa da qual Vorcaro era sócio, juntamente com o seu advogado Willer Tomaz. Meses depois, o Brasil enfrentaria uma ofensiva política e comercial articulada nos Estados Unidos por integrantes e aliados da família Bolsonaro. Temos, portanto, o direito de buscar a verdade e perguntar: quais interesses orientaram essa atuação no exterior? E, sobretudo, ela estava de acordo como os interesses do Brasil?
Ao longo dos últimos anos, Flávio Bolsonaro também teve seu nome associado, em investigações e reportagens, a personagens ligados às milícias no Rio de Janeiro. Relatórios apontam que o gabinete de Flávio Bolsonaro destinou cerca de R$ 200 mil em uma emenda parlamentar para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), localizado na Taquara (RJ). Mensagens reveladas apontam que o pedido da emenda foi intermediado por Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, que foi condenado pelo STF por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O Tribunal de Contas da União apontou irregularidades contratuais e conflito de interesses na aplicação dos recursos geridos pelo Ifop. Em uma eleição presidencial, conhecer a trajetória, as relações políticas e os atos públicos de quem pretende governar o País não é apenas um direito: é uma exigência democrática. “O que será de nós, se estivermos cansados da verdade?” Diante de tudo isso, pergunto a você: confia nessa pessoa para presidir o Brasil?
E qual a verdade sobre as imagens e conversas de WhatsApp reunidas por Alexandre Santini, ex-sócio e antigo amigo do Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e divulgadas recentemente pela imprensa? Segundo as reportagens, o material indica a participação do candidato à Presidência em festas privadas com garotas de programa. As informações ganharam repercussão nacional e, até agora, deixaram perguntas que precisam ser respondidas. Gente…
No dia 25 de outubro teremos o segundo turno para escolher quem comandará o nosso País. Pense. Pense bem sobre qual direção queremos para o futuro do nosso querido Brasil!
“Vencendo todo medo
Mãos dadas pela rua
Num destino de luz e amor
Vem agora
Quase não há mais tempo
Vem com teu passo firme
E rosto de criança
A maldade já vimos demais.”
(*) Por Heleno Araújo, professor da Educação Básica, secretário Geral da Confederação Sindical Educação dos Países de Língua Portuguesa (CPLP-SE), vice-presidente da Internacional da Educação (IE), ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e ex-coordenador do Fórum Nacional da Educação (FNE).
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