Educação, ciência e futuro: por que nosso voto em Lula é um imperativo
Tem filho na escola pública? É estudante ou professor? Este texto é para você. Entenda o que está em jogo em 2026

Por Railton Nascimento Souza*
Você já parou para pensar no que mudou na educação brasileira nos últimos anos? Se tem filho na escola pública, talvez já tenha recebido o apoio do Pé-de-Meia. É professor da educação básica ou do ensino superior, de universidade ou de instituto federal? Talvez tenha sentido o reajuste das bolsas ou visto obras, antes paradas, recomeçarem na instituição onde trabalha. Se é jovem ou adulto que quer retomar os estudos, talvez esteja planejando entrar numa universidade ou num instituto federal em busca de realização profissional. Você sonha com um país efetivamente desenvolvido e que dê oportunidades iguais a todos, a começar pela educação? Pois é: tudo isso tem a ver com nossa escolha política. E tudo isso está em risco.
Vamos aos fatos. Entre 2016 e 2021, os governos Temer e Bolsonaro retiraram cerca de 100 bilhões de reais da educação, em valores corrigidos, segundo dados do Ministério da Educação. O orçamento discricionário das universidades e dos institutos federais, que era de 6,7 bilhões em 2016, caiu para 4 bilhões em 2022, conforme levantamento do centro de estudos SoU_Ciência. As bolsas de pós-graduação permaneceram sem reajuste por vários anos, até os aumentos promovidos em 2023. O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) perdeu 17,5% dos bolsistas; a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), 16,2%, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação. A ciência foi tratada como despesa, não como prioridade para o desenvolvimento do país. Foi uma gestão negacionista e privatista, que elegeu professores como inimigos, que desprezava evidências, que enxergava a educação como mercadoria a gerar lucratividade, não como direito.
Lula rompeu esse ciclo. O orçamento do MEC (Ministério da Educação) passou de 163,9 bilhões executados em 2022 para 226,4 bilhões previstos para 2025, conforme o Tesouro Gerencial. As bolsas de mestrado subiram de 1.500 para 2.100 reais; as de doutorado, de 2.200 para 3.100, aumentos de aproximadamente 40% que beneficiaram 258 mil bolsistas, segundo o CNPq. O FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que financia pesquisa, teve orçamento aprovado de 14,7 bilhões de reais em 2025, ante 851 milhões em 2019, conforme a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos). Entre 2023 e 2025, o investimento em ciência e tecnologia alcançou 49,3 bilhões de reais, quase o dobro dos 26,3 bilhões do quadriênio anterior, segundo o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), liderado pela Ministra Luciana Santos. Enquanto Bolsonaro negava a pandemia, Lula devolveu à ciência e à saúde o lugar de políticas de Estado.
Agora, estudantes ou seus pais, prestem atenção. O Pé-de-Meia já ampara 7,2 milhões de alunos do ensino médio público. É uma poupança que pode chegar a 9.200 reais ao longo do ensino médio. Um suporte importante nessa fase da vida. E o resultado aparece: entre 2022 e 2025, a reprovação no ensino médio caiu 62% e o abandono escolar diminuiu 61%. Considerando 2023 a 2025, a taxa de abandono caiu de 3,8% para 2,2%, uma redução de 42%, segundo dados do Censo Escolar. O MEC relaciona a melhora a um conjunto de políticas educacionais. Pare e pense: quem financia essas políticas? O governo federal. Quem pode acabar com elas? Uma gestão que é negacionista e que flerta com o neofascismo, que tem o capital privado como horizonte e nenhum compromisso com a educação pública de qualidade.
E não para por aí. Você sonha em entrar numa universidade federal ou num instituto federal? Ou ver seu filho estudando neles? Saiba que a proposta de Flávio Bolsonaro é retirar as universidades federais do Ministério da Educação e transferi-las para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, conforme seu plano de governo. O documento também estabelece que CAPES e CNPq passem a priorizar impacto produtivo, inovação e transferência de tecnologia.
Parece detalhe técnico, mas não é. Seus críticos apontam que a mudança fragmenta a política educacional, inviabiliza a assistência estudantil, enfraquece a extensão e subordina a produção científica à lógica de mercado. Universidade e instituto federal não se reduzem a laboratórios de pesquisa; são formação cidadã, são cultura, são pensamento crítico, são extensão.
Quem quer destruir isso? O consórcio de direita e extrema-direita que faz de tudo para voltar ao poder — e cujo principal nome, Flávio Bolsonaro, foi denunciado em novembro de 2020 pela Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro sob acusação de liderar uma organização criminosa para recolher parte do salário de seus ex-funcionários em benefício próprio.
Mais recentemente, passou a ser investigado no inquérito que apura o caso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 2025. Mensagens e áudios revelados no âmbito das investigações mostram que Flávio negociou com Daniel Vorcaro um aporte de até R$ 134 milhões para financiar o filme Dark Horse. O próprio Flávio confirmou que procurou o banqueiro em busca de patrocínio privado. O presidente Lula afirmou recentemente que Flávio “sabe que não vai escapar” e que estaria “atolado até o pescoço em todas as falcatruas do Banco Master”. Seriam fatos absurdos para qualquer cidadão; e quando são imputados a quem pode ser eleito presidente?
A você, professor da rede privada, a diferença é nítida. O piso nacional do magistério estabelecido pela Lei 11.738/2008 aplica-se à rede pública da educação básica; na rede privada, remuneração e pisos podem ser definidos por convenções e acordos coletivos, mas há grandes disparidades salariais, justamente pela inexistência de um piso nacional de abrangência geral equivalente ao da rede pública.
Levantamentos dos sindicatos indicam estimativa de remuneração média em torno de R$ 3.400 para docentes do setor privado — embora esses valores variem significativamente conforme região, jornada e nível de ensino — contra o piso nacional do magistério da rede pública para 40 horas semanais, que alcançou R$ 5.130,63 em 2026. Muitos trabalham como horistas, recebendo apenas pelas aulas dadas, sem remuneração pelo trabalho extraclasse. Outros estão submetidos a contratos intermitentes, sem carga horária mínima, sem estabilidade, sem futuro. Ou até mesmo são vítimas da fraude da pejotização. O professor vira itinerante: corre de escola em escola para compor um salário que mal chega ao piso público. E a resposta patronal, muitas vezes, tem sido o desrespeito e as investidas para aprofundar a precarização.
Na Bahia, o Sinpro-BA classificou a proposta do patronal como a mais regressiva já apresentada na história da negociação com o Sinepe-BA. Eles tentaram fragilizar o direito às férias e ao recesso e conceder um reajuste que não cobre as perdas acumuladas em anos, o que coloca o piso salarial em um patamar muito baixo. Em Minas Gerais, os professores do setor particular de Belo Horizonte e região entraram em greve por tempo indeterminado em setembro de 2026. A decisão ocorreu após a rejeição da proposta patronal de dividir a Convenção Coletiva de Trabalho em dois documentos, o que enfraqueceria direitos históricos como bolsas de estudos para filhos de professores, isonomia salarial e adicional por atividades extraclasse.
No Rio de Janeiro, os professores do setor privado aprovaram estado de greve depois que o patronal se recusou a reconhecer, ainda que num percentual inicial mínimo, o pagamento do tempo extraclasse previsto na LDB. Em Goiás, professores do ensino superior acumulam sete anos sem convenção coletiva, o que resultou em perda salarial acumulada superior a 45% para a categoria, enquanto o sindicato patronal condiciona o reajuste a cláusulas que rebaixam direitos da própria CLT reformada. É o mesmo roteiro: patronal intransigente, direitos rasgados, trabalhadores em resistência.
Como dirigentes sindicais, não podemos fechar os olhos para essa realidade. A reeleição de Lula não é só continuidade; é condição para preservar o que conquistamos e avançar no que falta. O Plano Nacional de Educação estabelece a ampliação do investimento público em educação até alcançar 10% do PIB ao final do decênio. No PNE anterior, essa era a Meta 20; no novo PNE, aprovado pela Lei 15.388/2026, a previsão está na Meta 19.a. Estamos longe desse patamar. O setor privado precisa de regulação que garanta piso, carreira e dignidade. E a ciência precisa de investimento permanente, não de sobressaltos, nem de gestões com “terraplanistas” à frente do MEC.
Estudante, dialogue com seus colegas. Docente, leve esse debate para a sala dos professores. Pai ou mãe, pergunte ao seu filho o que está em jogo. A eleição não é só sobre candidatos; é sobre o futuro da escola, da universidade, do instituto federal, da pesquisa, do trabalho docente e do desenvolvimento do país. É sobre se o Brasil vai continuar tratando educação como direito ou como mera mercadoria, ativo da financeirização que remunera o acionista sem nenhuma preocupação em formar cidadãos ativos e críticos e profissionais competentes para a construção de uma sociedade democrática e soberana.
Que a unidade seja nossa força. Que a luta sindical se converta em esperança organizada e ação transformadora. E que educar, como queria Paulo Freire, continue a significar liberdade, jamais medo. Por isso, a hora de agir é agora. Reeleger Lula é um imperativo. É defender o Brasil que sonha, estuda, pesquisa e trabalha. É garantir ao nosso povo um caminho seguro para um futuro próspero.
*Railton Nascimento Souza é Coordenador-Geral da Contee





