Consulado dos EUA convoca influenciadores anti-Lula em nova interferência de Trump pró Flávio Bolsonaro nas eleições

Governo Trump promove conversas influenciadores da ultradireita que atacam Lula e promovem candidatura de Flávio Bolsonaro em meio a série de ações para interferir nas eleições presidenciais no Brasil

Em mais uma ato de interferência direta em prol de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais no Brasil, o governo Donald Trump, por meio do Consulado dos EUA em São Paulo, está convocando influenciadores da ultradireita, que disseminam ataques contra Lula, para uma série de conversas em pequenos grupos sobre “liberdade de expressão e ambiente digital”.

Uma das influenciadoras convidadas foi Maria Fernanda Schmidt, do canal de ultradireita Brasil Paralelo, que revelou já ter participado de uma das conversas em publicação no Instagram na última quinta-feira (23).

“Foi uma excelente oportunidade para compartilhar com os diplomatas os desafios enfrentados por influenciadores, jornalistas e produtores de conteúdo no ambiente digital, em um diálogo enriquecedor sobre os rumos da liberdade de expressão no Brasil”, diz a influenciadora do Brasil Paralelo, que ataca Lula nas redes, na publicação.

Em seu canal no Youtube, o jornalista Leandro Demori afirmou que outros influenciadores da ultradireita já receberam convites para novas sessões de conversas no Consulado dos EUA em São Paulo.

Maria Fernanda ainda posa para foto com outros influenciadores da ultradireita bolsonarista, que teriam participado da conversa com os diplomatas de Trump no Consulado.

Na imagem aparecem, entre outros, Leandro Narloch, Rafael Ferri e Penélope Nova. Todos eles fazem parte do ecossistema da ultradireita, que promove a candidatura de Flávio Bolsonaro nas redes para diferentes nichos, além de propagar fake news e discursos de ódio contra Lula e o governo brasileiro.

Ação orquestrada

As rodas de conversas no Consulado dos EUA, convocadas sempre em grupos pequenos de influenciadores da ultradireita, acontecem em meio a um levante de Donald Trump para interferir nas eleições no Brasil.

Segundo reportagem da Agência Pública, a Embaixada dos EUA no Brasil acionou o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), para receber Riley Bernes e Samuel Samson, do Departamento de Estado dos EUA, órgão comandado por Marco Rubio.

Os dois tiveram os vistos negados pelo Consulado Brasileiro em Washington porque planejavam se reunir com aliados de Flávio Bolsonaro para propagar a tese requentada da fraude nas urnas eletrônicas no Brasil.

Segundo O Itamaraty, os funcionários de Trump justificaram a viagem ao Brasil dizendo que fariam contatos eleitorais e promover discussões sobre liberdade de expressão.

Nesta quarta-feira (29), o governo Trump lançou mais uma provocação ao governo Lula ao papaguear a narrativa de perseguição ao clã do ex-presidente brasileiro logo no primeiro parágrafo do documento em que comunica a “Continuação da Emergência Nacional com Relação ao Brasil”, prorrogando por mais um ano as sanções aplicadas ao Brasil por meio da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa, na sigla em inglês).

“Membros do Governo do Brasil também estão perseguindo politicamente um ex-presidente, sua família e seus seguidores, o que está contribuindo para o deliberado colapso do Estado de Direito no Brasil, para a intimidação motivada politicamente naquele país e para violações de direitos humanos’, diz o documento, que ecoa a tese propagada à exaustão nas redes sociais pelo clã Bolsonaro.

Fonte
Revista Fórum

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