Filho do Riocentro: Flávio Bolsonaro e sua opção pela ditadura
No dia 30 de abril de 1981, militares tentaram explodir bombas em um show que reunia 20 mil pessoas no Riocentro, no Rio de Janeiro. A ideia era culpar a esquerda, gerar pânico e frear a redemocratização. O tiro, porém, saiu pela culatra. Uma das bombas explodiu prematuramente em um dos veículos, matando um sargento do exército e ferindo gravemente um capitão.
Flávio Bolsonaro, por ironia do destino, nasceu no mesmo 30 de abril daquele ano. No entanto, sua ligação com o Riocentro não está apenas no calendário, e sim nas escolhas que ele fez ao longo da vida adulta.
Esta é a análise publicada no Jornal O Globo neste domingo (18/10), pelo jornalista Bernardo Mello Franco. Flávio nunca escondeu de que lado está. No livro “Mito ou verdade”, lançado em 2017, ele exalta o golpe de 1964 e q defende que agentes da repressão sejam tratados como “heróis nacionais”. Glorifica o coronel Brilhante Ustra, ataca a Comissão da Verdade e chega a sugerir que o ex-deputado Rubens Paiva teria sido morto por grupos de esquerda.
Na Assembleia Legislativa do Rio, subiu à tribuna ano após ano para celebrar o 31 de março e negar o golpe militar. Em seu texto, Bernardo Mello Franco destaca uma das frases de Flávio, de 2009, que deixa clara sua admiração pela ditadura: “Para mim, é motivo de muito orgulho e agradecimento aos militares.”
E não se trata apenas de discurso: em 2014, quando o caso Riocentro foi reaberto, de acordo com a coluna, Flávio acompanhou pessoalmente o depoimento de um militar investigado.
No entanto, o senador tem tentado esconder esse passado. Em declarações públicas na sua campanha presidencial, ele nega ser uma ameaça à democracia e afirma ser um defensor das instituições.
Mas seu histórico e seu próprio livro não mentem. Entre a democracia e a ditadura, ele sempre escolheu a segunda — de forma pública e reiterada.
Por tudo isso, o eleitor não pode deixar se enganar por ele. Eventual vitória de Flávio, nas urnas, representará a morte da democracia, arrastando de volta, das catacumbas da história, os horrores da ditadura militar que ele tanto venera.
Acorda, Brasil, enquanto ainda é possível!
Por Andressa Schpallir e José Geraldo de Santana Oliveira





