Greve dos professores de MT chega aos 60 dias e estado volta a negociar

Trabalhadores da Educação iniciaram movimento no dia 12 de agosto. Categoria diz que aguarda nova proposta por parte do governo do estado.

Carolina Holland 

Após anunciar mais de uma vez que tinha esgotado as possibilidades de acordo, e a despeito das declarações do governador Silval Barbosa de que não negocia com grevistas, o estado recuou e deve se reunir com o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) na manhã desta quinta-feira (10), na Secretaria de Educação (Seduc-MT), para tentar colocar fim à paralisação, que chegou aos 60 dias.

O presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes do Nascimento afirma que, se o estado não fizer nova proposta  para a categoria, a diretoria do sindicato não vai colocar em discussão o encerramento da greve durante a assembleia, porque afirma que não há elementos que justifiquem isso.

A categoria, que pede que o salário seja dobrado em 7 anos, a partir deste ano, recusou proposta do governo que previa reajuste de 100% em até dez anos, com início em 2014. O mesmo acordo foi apresentado duas vezes, mas os trabalhadores não aceitaram receber aumento a partir do próximo ano. Nascimento disse que, desde a última recusa, não foi apresentada mais nenhuma alternativa por parte do estado.

“Eu penso que falta habilidade por parte do governador Silval Barbosa para tratar dessa questão da greve, que é muito natural no serviço público. Ele não pode assumir a função de chefe de estado e simplesmente se trancar numa sala e dizer que não negocia”, criticou o sindicalista.

Com piso salarial de R$ 1.566,64, pouco mais de R$ 1 a mais que o nacional, que é de R$ 1.565,61, os grevistas querem também que o estado pague a hora-atividade dos professores contratados. Eles rejeitaram proposta do governo de realizar esse pagamento em três parcelas, sendo uma por ano, porque consideram que o valor deve ser pago de uma só vez.

Em meio às dificuldades de chegar a um acordo com a categoria, o estado anunciou o corte de ponto daqueles que insistirem na greve e avisou não iria elaborar nova proposta para ser apresentada aos profissionais da educação. O governo tentou ainda a via judicial e conseguiu duas liminares – dos desembargadores Marcos Machado e Maria Erotides Baranjak – determinando que os grevistas retornassem aos trabalhos, mas nenhuma decisão foi cumprida.

Nesse ínterim, o então secretário de Educação Ságuas Moraes, que conduziu as negociações com o sindicato, deixou a pasta para assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília. No lugar dele, assumiu a pasta Rosa Neide Sandes, que já foi secretária e secretária-adjunta da Seduc-MT.

Mato Grosso tem 39 mil trabalhadores da educação em 744 escolas estaduais, e 430 mil alunos. De acordo com a Seduc-MT, 302 unidades escolares, entre as que não aderiram ao movimento e as que entraram em greve, estão funcionando normalmente, o que representa 40% do total. O Sintep, entretanto, afirma que esse número é menor e que a paralisação atinge 80% das escolas.

O ano letivo de 2013 vai ter finalizado somente em 2014.

Revindicações

Os trabalhadores pedem também melhorias nas escolas e o cumprimento do que determina a constituição estadual em relação ao repasse do orçamento do estado à educação, que deveria ser de 35%.

Do G1

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