Movimento sociais e sindical lutam pela última vaga de deputado federal de Sergipe

Petista João Daniel teve o dobro de votos do bolsonarista André David (Republicanos), que o TSE considerou eleito. Caso está na Justiça que precisa validar votos da vice-governadora

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já concluiu o processo eleitoral deste ano, mas a última das oito cadeiras da Câmara dos Deputados pelo estado de Sergipe foi levada para a Justiça e ainda não foi decidida.

Os movimentos sociais e sindicais que formam as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo de Sergipe divulgaram nota (leia abaixo a íntegra da nota), nesta sexta-feira (11), defendendo que o diplomado pelo TSE seja o deputado federal João Daniel (PT), que concorreu à reeleição. Ele é uma liderança histórica do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) e defensor dos trabalhadores e da democracia e teve 68.969 votos, o dobro do candidato da direita que foi considerado eleito pela Justiça Eleitoral.

Apesar de ter tido apenas 31.597 votos, o bolsonarista André David (Republicanos), delegado, defensor da cultura das armas, propagador de fake news, que ataca o TSE e exalta tentativas de golpe de Estado, foi eleito por média, segundo o site do TSE.

Entenda o caso

A Justiça Eleitoral precisa decidir se vai validar ou não os 66.072 votos da vice-governadora Eliane Aquino (PT), que foi candidata a deputada federal.

Caso os votos dela sejam validados, não será Aquino quem ficará com a vaga, mas João Daniel, que foi mais votado do que ela. E o bolsonarista perde a cadeira em Brasília.

A vice-governadora foi considerada inelegível após ter a candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por uma suposta falta de desincompatibilização do cargo. A denúncia do Ministério Público Eleitoral (MPE) aponta que ela deveria ter deixado cargos em conselhos deliberativos estaduais para se candidatar.

Confira a íntegra da nota das frentes:

ESTAMOS COM JOÃO DANIEL

Dois projetos distintos disputam uma vaga de Deputado Federal e a decisão está sob posse do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O destino dessa vaga é única e inerente à Justiça, mas o povo sergipano e nossas organizações populares já se posicionaram a favor de João Daniel.

Entenda o que está em jogo na disputa. O pleito eleitoral foi concluído em Sergipe, mas uma briga judicial ainda traz um ponto de interrogação para a última vaga de deputado federal sergipano. Dois opostos disputam a representação do estado na Câmara dos Deputados: João Daniel (Agricultor, Petista, Liderança do MST e defensor dos trabalhadores) e André David (delegado, bolsonarista, defensor da cultura das armas e propagador de fake news).

O primeiro teve mais que o dobro de votos do segundo. Foram 68.969 votos para João Daniel e apenas 31.597 votos para André David.

Essa comparação inicial, por si só, já traz o prejuízo que o povo de Sergipe pode ter com a chegada do delegado à Câmara em detrimento da ausência de João Daniel, mas quando os históricos de ambos são destrinchados é que se tem a real dimensão dessa possível tragédia.

João Daniel é um agricultor assentado, cuja luta em defesa da terra, da economia solidária, da agroecologia e dos trabalhadores possui reconhecimento nacional. Nos dois mandatos de deputado o petista foi o parlamentar que mais apresentou projetos e se destacou como defensor das pautas das classes mais baixas e dos trabalhadores sergipanos e brasileiros. O mais recente levantamento do DIAP apontou João Daniel como o único deputado federal sergipano a ter votado em 100% dos projetos que beneficiam os trabalhadores.

André David, por outro lado, carrega um histórico sombrio na sua participação na vida pública. Ao longo da sua atuação como delegado, acumula inúmeras operações sangrentas, com saldo gigantesco de mortes em supostos confrontos com as vítimas. São vários os processos por abuso de poder na Corregedoria da Polícia Civil de Sergipe, camuflados por uma falsa sensação de atuação firme contra a criminalidade.

Para disputar o cargo de deputado federal, David montou um circo midiático que envolve relações diretas com blogueiros e radialistas para que estes divulgassem operações e ocorrências estampando sempre a imagem do delegado como herói do combate ao crime. Em contrapartida, André levava as informações com exclusividade aos parceiros, antes mesmo da informação chegar ao setor de comunicação da Secretaria de Estado da Segurança Pública.

No período pré e eleitoral as manobras midiáticas se acentuaram, com disparos em massa, inclusive de Fake News, e espaços comprados na mídia alternativa. Nesse período, cada vez mais o nome de André David se via envolvido em ocorrências em que acusados de crimes eram assassinados sob a justificativa de terem reagido à abordagem.

O povo sergipano e nossas organizações populares já se posicionaram a favor de João Daniel.

Frente Brasil Popular/Sergipe

Frente Povo Sem Medo/Sergipe

CUT

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