Papo de terça: Entrevista com o presidente do Sintrae-MT, Professor Biro

Se o objetivo desta coluna é dar espaço para os defensores da educação e dos trabalhadores, nada melhor do que abri-la àqueles que estão na luta cotidiana na nossa categoria, dentro das nossas entidades filiadas. Por isso, a conversa de hoje do “Papo de terça” é com Joacelmo Barbosa Borges, o Professor Biro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino do Estado do Mato Grosso (Sintrae-MT). Na entrevista, o docente e sindicalista, que nas eleições de 2012 foi candidato a vereador em Cuiabá pelo PCdoB e ficou como suplente, fala sobre a luta do movimento sindical em defesa dos trabalhadores e da educação, e também sobre a necessidade de representatividade política da categoria. Confira!

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Contee – Quais os principais desafios hoje do movimento sindical dos trabalhadores em educação que atuam no setor privado?

Professor Biro – O grande obstáculo é mobilizar a categoria, é fazer o trabalhador entender que somente com a unidade somos fortes, que não adianta apenas um pequeno grupo fazer a resistência, estar na linha de frente; é preciso a mobilização de toda categoria. Alguns desafios que considero serem bandeiras de luta para o sindicalismo dentro da educação privada: 1) a criação do Sistema Nacional de Educação; 2) a regulação da educação privada, sendo que, neste momento, uma das batalhas é a aprovação do Insaes; 3) a valorização dos trabalhadores no setor privado; 4)o combate ao excesso de atividades extraclasse; 5) a enfrentamento à terceirização que ocorre nas escolas e na educação superior; 6) a aprovação do Plano Nacional de Educação.

Contee – Como o senhor, como sindicalista, percebe o impacto da mercantilização e da financeirização do ensino tem afetado a educação e as relações de trabalho no setor?

PB – Vejo com preocupação esse fator na área educacional, da forma crescente como vem se apresentando esse impacto. Hoje, o ensino superior está cada vez mais concentrado, comercializado nas bolsas de valores, cujos investidores (donos) se preocupam com seus lucros e não com a qualidade da educação. O caso, noticiado pela Contee, da aprovação da fusão Kroton e Anhanguera, tornando-se a maior empresa privada de educação do mundo – e aqui em Cuiabá foi detectado monopólio –, é um desses exemplos. Pouco tempo atrás, esse grupo comprou uma faculdade e, logo em seguida, ocorreu demissão em massa dos trabalhadores, principalmente mestres e doutores, práticas de assedio moral e rebaixamento de salários. O impacto dessa concentração, da financeirização e do monopólio, é muito grande. Temos denunciado nossa preocupação e contrariedade em relação ao avanço de tal situação, seja através de ações jurídicas ou de atuações em outras instâncias. Entendo que grandes grupos de capitais estrangeiros não estão nem um pouco preocupados com a qualidade do ensino no país nem tampouco com o desenvolvimento da nação.

Contee – De que maneira as entidades sindicais que representam os trabalhadores em educação precisam e podem fortalecer sua atuação?

PB – É de suma importância que as entidades sindicais se fortaleçam. Hoje vemos que poucos querem dedicar-se ao movimento sindical; entretanto, as instituições representativas dos trabalhadores são instrumentos fundamentais na luta em defesa de nossas categorias. Participar dos sindicatos, das federações, confederações e centrais sindicais são, sem dúvida, caminhos para garantir mais avanços das nossas reivindicações e lutas. O fortalecimento também se dá com a constante presença dos sindicatos dentro das instituições, para que a categoria sinta-se representada e participe mais das ações e para que possamos ter unidade para enfrentar as grandes e as pequenas batalhas que todo dia temos que enfrentar na luta pela valorização e manutenção dos postos de trabalho.

Contee – Nas últimas eleições municipais, o senhor disputou uma vaga de vereador em Cuiabá. Como a participação na política representativa pode auxiliar na defesa da educação e de seus trabalhadores?

PB – Penso que é muito importante a nossa atuação na luta política, setor da sociedade em que são definidas diversas leis e em que se podem concretizar diversos projetos do interesse de nossa categoria e, principalmente, na defesa dos trabalhadores que representamos, bem como de todos os outros trabalhadores. Hoje, infelizmente, são poucos os políticos que de fato representam a classe trabalhadora. Ainda que eu não tenha sido eleito no pleito, a semente já foi plantada, ou seja, o fato de o trabalhador poder contar com quem realmente possa entender e vivenciar a sua luta no setor privado da educação. Todos querem mudar a educação pública, mas são poucos que se preocupam em regulamentar o ensino privado. Tenho dito sempre que somente defenderá os interesses da categoria quem realmente é da categoria. A apresentação de propostas que regulamentem este setor, a fiscalização dos programas de interesses dos trabalhadores da educação são alguns dos elementos que constituem essa representatividade.

Da redação

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