Sinpro Minas: Nota de repúdio – Pelo respeito à vida e pela dignidade do trabalho docente
O Colégio Santa Dorotéia de Belo Horizonte, instituição que se apresenta publicamente como portadora de uma “excelência humana e cristã”, tornou-se palco de uma das cenas mais tristes e reveladoras do descaso com que instituições de ensino tratam aqueles que sustentam o seu funcionamento diário.
Na manhã de segunda-feira, 19 de outubro, a professora Michelle Elizabeth Sabarense Rabelo Amorim faleceu, praticamente dentro da escola, no caminho para o hospital. Michelle era professora da casa há anos, descrita pela própria escola como alguém de “sorriso acolhedor, bondade e intensa dedicação”.
Apesar da morte, a instituição continuou funcionando normalmente. Como se nada tivesse acontecido. A escola emitiu uma nota de pesar, bonita nas palavras, mas não foi capaz de parar a rotina em respeito à professora. As aulas seguiram, afinal, a engrenagem não pode parar.
Em agosto de 2020, o Brasil assistiu a uma cena que se tornou símbolo nacional do desprezo patronal pela vida: o promotor de vendas Moisés Santos morreu de infarto dentro de uma loja do Carrefour em Recife. Seu corpo foi coberto com guarda-sóis e tapumes improvisados, e a loja continuou aberta ao público por horas. A esposa de Moisés resumiu o sentimento que hoje se repete: “O ser humano não vale nada, as pessoas só se importam com o dinheiro”.
Se repete a mesma lógica. Uma professora morre, e a instituição age exatamente como a rede de supermercados: preserva a operação, a rotina, e o lucro.
O Colégio Santa Dorotéia se define como uma instituição de “formação integral” que busca a “excelência acadêmica, humana e cristã” . Sua proposta pedagógica fala em “acolhimento”, “cultura do encontro”, “respeito à diversidade” e “compromisso com a justiça”. Que compromisso com a justiça é esse que não reconhece a dignidade de quem passou anos servindo àquela comunidade?
A escola que se diz cristã deveria ser a primeira a parar. A reconhecer, perante alunos, famílias e funcionários, que uma vida humana vale mais do que um dia de aula. Em vez disso, o Santa Dorotéia provou que, para muitas instituições, professor não é gente, é mão de obra substituível.
O Sinpro Minas repudia, com veemência, a postura desta instituição.
Que a família, os amigos e os alunos que verdadeiramente amaram Michelle se recordem dela com o respeito que a escola não soube dar.
Pela memória de Michelle. Pela dignidade de todos os trabalhadores da educação. Pela vida.
Michelle, presente!




