Sinpro-Rio: Adolescência, a tragédia das redes sociais na sala de aula

Bullying, violência nas dependências da escola, provocação e ameaça a professores; estudantes arrogantes, indisciplinados que vivem num universo paralelo; utilização indiscriminada de celular, culminando em tragédia. Você deve estar pensando que estamos falando de Brasil. Nada feito. Todos estes ingredientes que deturpam os caminhos da sociedade e hoje, da Educação, são retratados na Inglaterra, na série “Adolescentes” (Netflix).

Durante quatro episódios com cerca de uma hora, o universo paralelo das redes sociais habitado por adolescentes é trazido de forma nua e crua. A impotência dos pais, gerada pelo abandono à prática de se conviver com mais atenção com os filhos, somada ao fato de se jogar nas costas dos professores a indisciplina, a indolência vai para a tela.

Como a sigla já diz que WWW significa World Wide Web, ou “rede de alcance mundial” em português, esta séria questão abrange todo o planeta.

Vejam aqui sobre o enredo, detalhado por Léo Bueno no blog Construir Resistência: “O adolescente central, no caso, é Jamie Miller, que numa manhã qualquer tem sua casa invadida e devassada pela polícia do norte da Inglaterra e vai preso sob uma acusação muito grave. Esse é o início da história, e a acusação será esmiuçada no decorrer dela.

Falar muito mais sobre o enredo pode anestesiar a experiência. Digamos apenas que a ação não se centra num único personagem: nos dois primeiros episódios, a câmera pula nervosamente entre policiais, civis, professores, alunos, toda a fauna de hábito, só que aqui vestida numa carapuça de gente real, driblando com habilidade os clichês das histórias adolescentes. Isso embora os temas já tenham sido representados numa penca de filmes: a insegurança adolescente, a violência, o conflito familiar, a culpa, a solidão, o machismo, a misoginia.

E, especialmente, o bullying, esse verdadeiro patrimônio anglo-saxão produzido para consumo interno e exportado com sucesso no mundo todo. Formas bem modernas dele ganham vida na produção. Adolescentes que viram a série me disseram que ela retrata muito fielmente a sinuca de bico do mundo dos incels e dos redpills, e dos rapazes e moças ao redor de quem eles orbitam. No fundo, no fundo, é a forma que a cultura do ‘winner’ versus ‘loser’ adota nestes tempos de rede social.”

Ficha técnica da minissérie Adolescência, da Netflix:

Roteiro: Jack Thorne e Stephen Graham
Direção: Philip Barantini
Elenco: Owen Cooper, Stephen Graham, Christina Tremarco, Erin Dohery, Amelie Pease, Faye Marsey e Ashley Walters

Do Sinpro-Rio

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