Um voto pela educação: carta aberta aos professores e professoras

“Liberdade — essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda.”

Caríssimo/a professor/a,

Ao cumprimentá-lo/a cordialmente, queremos dialogar com você sobre o significado e a atualidade dos belíssimos versos da epígrafe, com os quais nos brindou a imortal poeta Cecília Meireles, em sua magnífica coletânea de poemas “Romanceiro da Inconfidência”, publicado em 1953; em especial para o exercício de nossa profissão.

De nossa parte, temos a inabalável convicção de que são atemporais e estão para a vida social como o ar está para a vida biológica. O sonho de liberdade, em todas as suas dimensões, é o símbolo maior da existência humana, desde o seu alvorecer. E, com absoluta certeza, assim será eternamente.

Liberdade é valor supremo, que não existe por metade; só se concretiza por inteiro. A escola tem de ser berço e abrigo vibrante da liberdade. Por isso mesmo, a Constituição Federal de 1988 — a constituição cidadã, como a denominou o presidente da Assembleia Nacional Constituinte que a teceu, Ulisses Guimarães — elevou a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento e o saber, como princípio de primeira ordem, sobre o qual se assenta o ensino (Art. 206, II, da CF). Bem assim o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas (Aert. 206, III, da CF).

Assim sendo, porque o Constituinte de 1987/1988, com ampla visão de futuro radioso, tal como fizera a poeta inconfidente Bárbara Heliodora (1759/1819), no seu belíssimo poema “Conselhos a Meus Filhos”, assentou que não é a lição que faz saber; quem faz sábios é o pensar. O pensar não se constrói em ambiente onde não há liberdade plena, seja no lar, na rua e principalmente na escola.

Desse modo, caríssimo/a professor/a, nada é mais atentatório aos princípios constitucionais que regem o ensino do que a escola que se volta apenas aos programas curriculares das disciplinas; que tolhe o debate; que proíbe a disseminação de ideias e de concepções pedagógicas, amplas e desafiadoras; que busca enquadrar o/a professor/a como mero transmissor de informações, quase sempre envelhecidas, tendo como destinatário o/a aluno/a; fazendo deste o cliente e, daquele, o balconista, que entrega a mercadoria vendida, que  é o ensino.

Infelizmente, essa prática tem se espalhado como erva daninha, em escolas públicas e privadas; nesse terreno prenhe de ideias retrógradas e obscurantistas se avultam escolas cívicos-militares, “escolas sem partido” e ensino domiciliar (homeschooling), como se fossem a panaceia para os males sociais e para a construção de escolas modernas; tendo como carro-chefe o atraso e a transformação do ambiente escolar em prisões intelectuais.

Nesse ambiente, em célere marcha da luz para a treva,  nascem e se multiplicam a criminalização do trabalho docente, as agressões físicas e psicológicas e os atentados, que não raras vezes levam a assassinatos de professores/as e até de alunos.

Temos plena certeza de que, ao fazer a sublime opção pela carreira docente, você tinha e tem como objetivo maior seu exercício   na escola preconizada pela Constituição de 1988. Insista-se, onde haja liberdade para aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento e saber, bem como para pluralidade de ideias e de concepções pedagógicas.

Pois bem! O que, hoje, já é insuportável, pode ficar muito pior, se infortunadamente Flávio Bolsonaro for o vencedor do pleito eleitoral e se tornar presidente da República.

Você já teve acesso às propostas que ele tem para a educação? Se sim, constatou que seu programa, além de referendar todos os atentados cotidianamente feitos á escola, tem por objeto único o seu aprofundamento; fazendo da escola o principal laboratório do atraso social e do retrocesso intelectual.

Se ainda não teve conhecimento de tais nefastas propostas, trazemos, aqui, o seu resumo, em palavras literais, retiradas de suas falsas e desonestas diretrizes de governo, sob o título “Para o Brasil vencer o atraso”, que bem deveria intitular-se para o Brasil marchar da luz para a treva.

Ei-las, em excertos:

“A escola será cobrada pelo que existe para fazer. [..]Os professores terão qualificação contínua baseada em evidências científicas, e não em modismos pedagógicos, com formação que os prepare para ensinar bem, e não para militar em sala de aula. A educação será orientada pelo conhecimento e livre de doutrinação político-partidária, respeitando a liberdade de consciência e o papel das famílias. Escola é lugar de aprender a pensar, não de aprender o que pensar, e quem decide sobre os valores que o filho recebe são os pais. Vamos ampliar as Escolas Cívico-Militares, que uniram disciplina e bom desempenho onde foram implantadas.., [..] E onde faltar vaga na rede pública, a família receberá um voucher educacional para matricular o filho em outra escola, porque a prioridade é a criança aprender, não a defesa de um sistema que falhou com ela”. (Grifou-se).

Caríssimo/a, se a escola que você quer, para trabalhar e para que seus entes queridos possam estudar, é diametralmente oposta à que propõe o programa de Flávio Bolsonaro, diga o mais retumbante NÃO a ele e, consequente, a ela, por meio de seu VOTO. Bem assim, recomende aos/às amigos/as, parentes, colegas de trabalho, vizinhos e a todos/as com quantos dialogar que também o façam.

Assim faremos e esperamos que esteja conosco nessa difícil caminhada!

A única hora possível de dizer não à barbárie é agora!

Ao depois, não haverá outra oportunidade!

Brasília, 17 de agosto de 2026

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — CONTEE

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