Vance suspende viagem à Suíça e negociações do acordo EUA-Irã são adiadas

Casa Branca informa que 'planos para conversas técnicas não foram finalizados'; delegações se reuniriam em Bürgenstock para implementar tratado de cessar-fogo

As negociações para a implementação do acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. previstas para esta sexta-feira (19/06), no resort de Burgenstock, na Suíça, foram adiadas. O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, desistiu de viajar ao país europeu na noite desta quinta-feira (18/06).

“Como o vice-presidente afirmou em sua coletiva de imprensa, os planos para as próximas conversas técnicas ainda não foram finalizados. A delegação dos Estados Unidos está preparada para partir na primeira oportunidade disponível”, disse a Casa Branca.

O comunicado acrescenta que “a logística dessas negociações nunca foi simples ou previsível” e que “até o momento, o vice-presidente não partirá esta noite”.

Pouco depois, o Ministério das Relações Exteriores da Suíça confirmou que as negociações não aconteceriam, sustentando que o processo não foi cancelado, mas apenas adiado. Segundo o governo suíço, os preparativos para o início das conversas em Burgenstock ainda permanecem em andamento.

O principal negociador de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, reiterou que as futuras conversas com Washington deverão respeitar as condições estabelecidas pelo Irã. “Como demonstramos ao longo das negociações anteriores, permanecemos firmes no respeito às condições e linhas vermelhas estabelecidas, e na defesa dos interesses da nação iraniana”, afirmou.

Ghalibaf também advertiu que o Irã responderá caso considere excessivas as exigências de seus interlocutores. “Se o inimigo se tornar excessivo [em suas exigências], já provamos que estamos prontos para retaliar e não hesitaremos em dar uma resposta contundente”, declarou.

A suspensão das negociações ocorre em meio à continuidade dos ataques israelenses em várias cidades do sul libanês. Ao menos 16 pessoas foram mortas nesta sexta-feira (19/06). A ofensiva viola as exigências do acordo que prevê o fim imediato das agressões em todas as frentes envolvidas no conflito, incluindo o Líbano.

Críticas de Vance

Nesta quinta-feira (19/06), em coletiva de imprensa, o vice-presidente dos Estados Unidos elevou o tom contra as críticas de integrantes do governo israelense ao acordo firmado entre Washington e Teerã. Ele disse que “Donald J. Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que demonstra simpatia pela nação de Israel neste momento.”

E acrescentou: “se eu fizesse parte do gabinete do governo israelense, talvez não estivesse atacando o único aliado poderoso que me resta no mundo inteiro.”

Vance destacou que dois terços das armas defensivas que protegeram Israel “foram construídas por mãos norte-americanas e pagas com o dinheiro dos impostos norte-americanos”. E advertiu que os israelenses que consideram Trump um problema estão interpretando equivocadamente a situação.

“O problema de Israel não é Donald J. Trump, e qualquer pessoa em Israel que pense que seu maior problema é o presidente dos Estados Unidos precisa acordar e encarar a realidade da situação em que o país se encontra”, disse Vance.

Fonte
Opera Mundi

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