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Marcha das Margaridas em Brasília. Foto Lula Marques.

A Marcha das Margaridas fez o trajeto do Pavilhão do Parque da Cidade à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta quarta-feira, 14, em Brasília. “Olha Brasília, está florida. Estão chegando as decididas”, cantaram milhares de agricultoras familiares, ribeirinhas, quilombolas, pescadoras, extrativistas, camponesas, quebradeiras de coco, trabalhadoras urbanas e dos movimentos feministas e as indígenas que participaram do ato. As marchas da Margaridas e das Mulheres Indígenas se encontraram no Eixo Monumental e seguiram juntas para o ato final diante do Congresso Nacional, no início da tarde. A coordenadora da Secretaria de Defesa de Direitos e Gênero e LGBTT, Gisele Vargas, e Cristina de Castro, da diretoria plena da Contee, participaram do ato. Organizadores estimaram a presença de 100 mil pessoas no ato.

A Marcha ocupou as ruas da capital federal desde terça até as 13h desta quarta, quando as manifestantes foram embarcar nos ônibus que as levarão para seus estados de origem. Pela primeira vez, desde a primeira Marcha (esta foi a sexta), a extensa pauta elaborada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), promotora do evento, não foi entregue ao Governo Federal, por entender que não dá para negociar com quem retira direitos.

A entidade e as participantes da Marcha defendem o fortalecimento da democracia, igualdade e participação políticas das mulheres, terra, água e agroecologia; autodeterminação dos povos, com soberania alimentar e energética; proteção e conservação da sociobiodiversidade; autonomia econômica, trabalho e renda; previdência e assistência social pública, universal e solidária; saúde pública e defesa do SUS; direito à educação do campo; autonomia e liberdade das mulheres sobre seu corpo e sua sexualidade; enfrentamento ao feminicídio e postulam vida livre de todas as formas de violência e a liberdade do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Seu tema, este ano, foi “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”.

Em seu pronunciamento durante o ato, Gisele falou “contra a violência ao nosso corpo, ao nossa espírito e à nossa alma. É isso que esta marcha representa. Queremos respeito aos nossos direitos. Não podemos aceitar que um governo como este retire os nossos direitos, todos arduamente conquistados – direitos sociais, como a previdência, os direitos trabalhistas. Por isso nós marchamos, porque, como disse Che Guevara, todo revolucionário é movido por um ato de amor. Toda mulher nada mais sabe fazer do que atos de amor. Que Margarida Alves esteja sempre presente, a toda hora, a todo momento, em nossos dias, em nossas vidas. Margarida Alves, presente! Lula, livre!”

Margaridas para Lula, Lula para Margaridas

“Alimentamos a esperança de que sua liberdade está próxima e lutaremos para que ela venha muito em breve. Sabemos que essa condenação e prisão injusta é uma vingança da elite brasileira contra o presidente que mais fez para melhorar a qualidade de vida das pessoas pobres e transformou o Brasil em um país importante no cenário mundial”, dizem as Margaridas em trecho de carta endereçada ao ex-presidente Lula e assinada pela coordenadora da Marcha, Mazé Moraes, secretária de Mulheres da Contag.

Lula respondeu com uma mensagem de esperança, lida por Fernando Haddad, candidato da coligação PT-PCdoB na última eleição presidencial: “Esse momento difícil de hoje passará. Ele não é fim da nossa caminhada. Ele é apenas uma pausa na construção do Brasil que queremos: justo, com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência. O povo brasileiro voltará a ser tratado com o respeito que merece. As mulheres da nossa terra voltarão a ter o respeito e carinho que merecem. O ódio não vencerá o amor. O medo não vencerá a esperança. A grosseria não vencerá a solidariedade.”

Resposta de Bolsonaro-Moro: repressão!

Apesar do histórico pacífico da Marcha, o ministro da Justiça e Segurança Pública de Bolsonaro, Sergio Moro, ordenou o uso da Força de Segurança Nacional contra os protestos realizados por estudantes na terça-feira, 13, e na Marcha das Margaridas e das Mulheres Indígenas, nesta quarta.

O Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), considerou ilegal a ordem de Moro. Emitiu nota denunciando que o ministro extrapolou a competência ao determinar o emprego da Força Nacional em atividade de segurança preventiva, ostensiva ou investigativa, sem solicitação do governador, ou seja, “por mera solicitação de um ministro de Estado”.

Humoradas, as Margaridas responderam com uma cantiga durante a Marcha: “Boi, boi, boi da cara preta, pega o Bolsonaro e devolva pro capeta”.

Quem foi Margarida Maria Alves

A Marcha foi assim batizada em homenagem a Margarida Maria Alves, assassinada em 12 de agosto de 1983 a mando de latifundiários da região onde presidia o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Grande, Rio Grande do Norte. Por mais de dez anos à frente do sindicato, Margarida lutou pelo fim da violência no campo, por direitos trabalhistas como respeito aos horários de trabalho, carteira assinada, 13º salário, férias remuneradas.

A primeira edição da Marcha ocorreu em 2000. O movimento é marcado pelas camisetas lilás e pelos chapéus de palha decorados com margaridas usados pelas manifestantes. As outras edições ocorreram em 2003, 2007, 2011 e 2015.

A deste ano já ganhou um vídeo da Contag:

Carlos Pompe

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