Margaridas marcham por educação não sexista, antirracista e pelo direito à educação do campo

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Mulheres do campo, da floresta, das águas e das cidades estão em contagem regressiva para marchar, na próxima terça-feira (13) e quarta-feira (14), em Brasília, por um país com educação não sexista, antirracista e pelo direito à educação do campo, um dos eixos da Marcha das Margaridas 2019.

Em sua 6ª edição, Marcha das Margaridas 2019 reafirma a luta por uma educação orientada que contribua com a construção de relações justas, sustentada na perspectiva antirracista, não sexista e que reconheça a identidade das pessoas que vivem no meio rural.

Além de ser um direito constitucional a todos os cidadãos (as) brasileiros (as), que assegura acesso à escola e ao ensino de qualidade, a educação promove o processo de socialização que inicia a partir dos valores repassados pela família, comunidade, igreja, meios de comunicação.

Um dos objetivos da Marcha é chamar a atenção do Governo Federal e mostrar à sociedade brasileira que a educação é investimento e que é possível construir um Brasil solidário, justo, livre de preconceitos e que valorize a diversidade, os povos e os diferentes modos de vida.

Para as Margaridas é por meio da educação que o ser humano forma opiniões e comportamentos, cria valores e essência, transforma relações e supera preconceitos. E por acreditar na capacidade de transformação, é que as mulheres agricultoras seguem em marcha para garantir o direito da educação a todas as gerações de mulheres, proporcionando condições de acesso e permanência em escolas e universidades.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística), no Brasil, em 2015, havia mais de 1,7 milhão de meninas e mulheres de 15 a 29 anos que não completaram o ensino médio, não estudavam e não exerciam atividades remuneradas.

A gravidez e as dificuldades para deixar os (as) filhos (as) enquanto frequentam a escola são os principais motivos que levam as mulheres a não estudarem mais. Por isso a importância da educação pública e de qualidade, garantindo o acesso das crianças em creches, educação infantil e demais níveis de escolaridade.

A educação para as crianças possibilita a inserção das mulheres na escola e no mercado de trabalho, promovendo autonomia e independência financeira e contribuindo com o desenvolvimento pessoal e profissional das mães.

Por uma Educação não Sexista

A discriminação baseada no sexo, conhecido como sexismo, já começa na infância quando as meninas são tratadas como bonecas frágeis, comportadas e quando ganham brinquedos que remetem às tarefas domésticas como cozinhar, lavar e cuidar de bonecas. Já os meninos são criados ao ar livre, rodeados de amiguinhos e incentivados a gostar de carros e futebol.

A sociedade é cheia de discriminação e regras que assumem diferentes formas para homens e mulheres, mostrando a desigualmente e colocando as mulheres em posições inferiores aos dos homens.

Quando se luta Por uma Educação não Sexista, se luta para que as escolas e outros espaços de formação não reproduzam ideias, valores e crenças que desqualifiquem as mulheres e restrinjam as oportunidades. As milhares de margaridas vão marchar para romper a falsa noção de que existem coisas de menina e de menino.

A Marcha das Margaridas propõe que em todos os espaços educacionais debatam e pratiquem a igualdade entre os gêneros, respeitando as diferenças, construindo um mundo sem desigualdades.

Por uma Educação Antirracista

Xô, racismo! É exatamente isso que as Margaridas buscam com a Marcha em Brasília: promover uma grande reflexão sobre o racismo, que fundamenta a ideia de superioridade de pessoas brancas e de inferioridade de pessoas que não são brancas, lutar por respeito e garantir igual valorização de todos os grupos étnico-raciais que compõem a sociedade brasileira.

O racismo é uma ideologia e uma prática de dominação social, introduzido no ser humano de forma direta e indireta. Por exemplo, existem expressões que se aprende ainda criança e que depreciam a população negra e indígena e enaltecem a população branca. “inveja branca”; “serviço de preto” e “programa de índio” são alguns exemplos.

Pelo Direito à Educação do Campo

Assim como as pessoas que vivem nas grandes cidades têm educação, escolas, universidades públicas e ensino de qualidade, as mulheres e os homens do campo, da floresta e das águas também têm o direito a educação, e que respeite suas culturas, saberes, tempos e seus territórios.

Desde 1998, os movimentos sociais e sindicais do campo têm provocado os governos e a sociedade para entenderem a educação no campo como um direito dos povos e dever do Estado. A Educação no Campo é muito mais do que uma modalidade de ensino, é um instrumento político que faz uma leitura crítica da realidade, fortalecendo a identidade coletiva.

A história da professora Leila Lesandra Paiter, de 28 anos, natural de Irineópolis, município de Santa Catarina, é um dos exemplos da importância da Educação do Campo. Leila trabalhou na agricultura com os pais até os 22 anos e, durante esse período, participou de diversas formações sindicais, entre elas o Programa Jovem Saber, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

Por meio da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc), a jovem agricultora conseguiu ingressar na primeira turma de Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza e Matemática da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Leila afirma que a experiência do curso foi maravilhosa e que a formação inicial para professores foi bastante crítica em relação ao modelo de educação e de sociedade que se vive, fazendo com que as(os) docentes reflitam e repensem sobre o campo, os problemas existentes nas comunidades rurais e a solução desses problemas.

Depois de concluir a licenciatura, a jovem participou de um projeto comunitário de diversificação de tabaco no município de Alfredo Wagner, onde reside e ministra aulas de Educação Ambiental para séries iniciais. “A minha formação em Educação do Campo contribuiu para que eu tivesse um olhar mais crítico para o meio rural, identificando problemas e buscando soluções para melhorar a qualidade de vida”, ressalta.

Leila afirma que o objetivo da Educação do Campo é formar professores que deem vida aos conteúdos trabalhados nas escolas do meio rural e conteúdos que deem mais sentido ao dia a dia das pessoas quem moram no campo. “A luta pela da Educação do Campo é muito maior do que a gente imagina e é um processo que depende dos movimentos sociais e sindical das(os) educadoras(es) e das comunidades do campo para defender esse direito que é básico”, complementa a professora.

Como uma jovem do meio rural, Leila avalia a Educação do Campo como extremamente positiva por ter possibilitado um novo olhar do campo, enquanto um lugar ideal para produção de saberes e vida às jovens mulheres do meio rural.

CONTAG

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