Política econômica de Bolsonaro e Guedes está afundando o Brasil

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Adriano Machado/Reuters

Mais uma notícia que desmente a propagação de que a economia brasileira vai bem. Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta queda de 1,2% na produção industrial no mês de novembro, em relação a outubro, interrompendo uma série de três meses de crescimento, mesmo que parco.

Essa queda significa “uma amostra do completo fracasso de um projeto de remodelação da economia nacional, pautada na mais completa desorganização do setor produtivo, especificamente na área da indústria, setor essencial para o desenvolvimento de qualquer país”, afirma Wellington Duarte, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e presidente do Sindicato dos Professores da UFRN (Adurn-Sindicato).

No acumulado de 2019 a queda foi de 1,1%, já em relação ao mesmo período de 2018 o tombo foi de 1,7%. Se considerados os últimos 12 meses a indústria perdeu 1,3% de sua produção.

Para Duarte, “a desindustrialização no Brasil não é novidade, assim como a perda de participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB). Bastando ver que o PIB industrial per capita de hoje é 25% menor do que o de 1980″.

Para piorar, “o mais recente levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) relacionando dados de 30 países ao longo de 50 anos identificou no Brasil a terceira maior retração industrial”.

Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), entende que o alinhamento unilateral do Brasil com os Estados Unidos compromete o desenvolvimento nacional, especialmente o setor produtivo. Inclusive Organização das Nações Unidas (ONU) já alertava sobre o processo de desindustrialização precoce no Brasil ao identificar pouco mais de 10% do PIB brasileiro no setor industrial, no ano passado.

Para ela, “o golpe de 2016 impôs um projeto de desenvolvimento voltado para o mercado externo e submetido aos interesses do capital internacional especulativo”. Isso “joga o país na contramão do projeto desenvolvimentista que vinha sendo implantado com o fortalecimento do mercado interno, mesmo que timidamente”.

De acordo com Duarte, até mesmo “as expectativas do mercado apontam para um desempenho medíocre da indústria, que deverá ficar em 0,73%, em 2019”. Para ele, “o alerta do Iedi de que o padrão da indústria nacional está tendo desempenho medíocre, desqualifica qualquer discurso de que estamos melhorando a situação da economia”.

O professor da UFRN lembra que no primeiro semestre de 2019 a produção industrial já havia recuado 1,6% e, “pelo que se pode perceber é que, embora as tentativas, via discurso, de introduzir um ‘cenário positivo’ para 2020 carecem de bases concretas e é essa a realidade com que se depara o país”.

Para ele, a opção por um projeto de desenvolvimento atrelado ao setor financeiro internacional “enxerga o país como exportador de bens primários, numa espécie de saudosismo colonial” e com essa “política destrutiva” o país “já exporta mais produtos de natureza básica do que produtos industriais e isso significa um breque nas expectativas de crescimento integrado nos próximos anos”.

Porque, diz Duarte, “é o setor industrial que alavanca do processo de desenvolvimento das forças produtivas”, portanto, “ao optarmos pelo ‘desenvolvimento’ como aumento das vendas do agronegócio e ter a sua base de crescimento nas exportações de commodities, deixamos de ter a ambição de nos tornarmos grandes produtores de bens fincados no desenvolvimento tecnológico”.

Com esse cenário, “mesmo as previsões otimistas do mercado e do Banco Mundial de que teremos crescimento do PIB acima de 2% neste ano e em 2021, parecem não fazer sentido algum”, sinaliza Vânia. Porque “a política é que está errada. Precisamos de um projeto de desenvolvimento que enxergue os interesses nacionais, além do que o desenvolvimento tecnológico exige mais conhecimento e qualificação”.

CTB

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