Vélez diz que 1964 não foi golpe e prega revisionismo nas escolas

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O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, disse que haverá mudanças em livros didáticos para revisar a maneira como são retratados nas escolas o golpe de Estado que retirou o presidente João Goulart do poder, em 1964, e o regime militar que o seguiu. A declaração ocorreu em uma entrevista do ministro ao jornal Valor Econômico, publicada nesta quarta-feira 3.

Segundo o jornal, Vélez diz acreditar que a mudança de regime, há 55 anos, não foi um golpe e sim uma “mudança de tipo institucional”. Além disso, teria dito que o período que seguiu a posse do general Castello Branco não seria ditadura, e sim um “regime democrático de força”. A tese é refutada por historiadores que estudaram o período.

Vélez disse, ainda segundo o Valor, que as mudanças em livros didáticos seriam “progressivas”, e devem ocorrer “na medida em que seja resgatada uma versão mais ampla da história”. Ele ainda teria dito que o papel do Ministério da Educação (MEC) é “regular a distribuição do livro didático e preparar o livro didático de tal forma que as crianças possam ter a ideia verídica, real, do que foi a sua história”.

Não é a primeira vez que membros do governo propõem uma revisão da história. Em janeiro, o próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL) e um dos seus filhos, Eduardo Bolsonaro (PSL), escreveram em rede social: “Um povo sem memória é um povo sem cultura, fraco. Se continuarmos no nosso marasmo os livros didáticos seguirão botando assassinos como heróis e militares como facínoras.”

Envolto em polêmicas, o Ministério da Educação passa por uma crise, dividido entre os técnicos, vindo em boa medida do Centro Paula Souza, e indicados da ala militar e do guru do presidente, Olavo de Carvalho.

A notícia repercutiu mal entre representantes de editoras e autores de livros didáticos.

Carta Capital

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