#17A: Executiva encaminha decisões sobre o Dia Nacional de Mobilização e Luta

Centralidade da agenda, conforme orientou o debate, é a drástica situação enfrentada pelos trabalhadores do ensino superior, causada pela prática antissindical das empresas que gerem, sobretudo, as grandes instituições de capital aberto

Reunida virtualmente, nesta sexta-feira (5), a Diretoria Executiva da Contee debateu e tomou decisões sobre o Dia Nacional de Mobilização e Luta dos trabalhadores em educação, convocada para 17 de agosto.

Inicialmente, do ponto de vista da mobilização da base da Contee, a Confederação vai realizar, na próxima terça-feira (9), a partir das 18h, reunião virtual dos conselhos das federações e dos sindicatos para debater a agenda do dia 17.

A centralidade da mobilização e da luta, conforme orientou o debate na Executiva, é a drástica situação enfrentada pelos trabalhadores do ensino superior, causada pela prática antissindical das empresas que gerem, sobretudo, as grandes instituições de capital aberto. O dia de denúncia e resistência, contudo, vale para todo o ensino privado, uma vez que essas empresas avançam cada vez mais também sobre a educação básica.

Conjunturas nacional e internacional

Como de praxe, antes de debater as demandas da categoria em todo o País, houve análise das conjunturas nacional e internacional.

A 60 dias das eleições, neste momento, segundo o coordenador-geral da Contee, Gilson Reis, o presidente Jair Bolsonaro (PL) está claramente “isolado”. Dois elementos levaram Bolsonaro a essa situação política, no entendimento do coordenar-geral. O primeiro é o assassinato do dirigente do PT em Foz do Iguaçu (PR) cometido por militante bolsonarista, fato que ocorreu na madrugada de 10 de julho.

O segundo é a reunião com embaixadores estrangeiros no Brasil, convocada por Bolsonaro, para criticar o sistema eleitoral, as urnas eletrônicas e os ministros do STF (Superior Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Esses dois elementos, na compreensão de Gilson Reis, uniram a sociedade civil contra Bolsonaro. Daí surgiram as cartas em defesa do Estado Democrático de Direito, em particular a da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), que soma, até o momento, mais de 700 mil assinaturas.

Isso foi “reação da sociedade civil”, na compressão de Reis, às diatribes de Bolsonaro. Madalena Guasco, coordenadora da Secretaria-Geral da Confederação, concordou com Gilson, e destacou que os erros de Bolsonaro permitiram o que ela chamou de “unidade peculiar, em defesa da democracia”.

Madalena também chamou atenção para as manifestações do campo democrático convocadas para o dia 10 de setembro, a fim de evitar o 7 de setembro, quando o bolsonarismo vai às ruas, convocados pelo presidente da República, na lógica da pregação golpista e contra o Estado Democrático de Direito.

No planto internacional, Reis destacou a grave crise europeia, em particular, a guerra no leste europeu entre a Rússia e a Ucrânia. E, em razão disso, a crise econômica daquela região do mundo. Ele também comentou os confrontos provocados pelos EUA contra a China, agora, em razão dos conflitos gerados por Taiwan. E finalizou apontando a grave crise econômica dos EUA.

Outro ponto da conjuntura internacional foi a eleição do novo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que obteve 50,49% dos votos contra 47,25% do direitista Rodolfo Hernández, conhecido como “Trump colombiano”.

Eleições 2022

Na avaliação da conjuntura nacional, Reis destacou a aproximação das eleições. “A saída para a situação política, social e econômica passa pela derrota de Bolsonaro em outubro”, disse. Em caso de vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vai ser preciso fazer um “revogaço, que seria, segundo Gilson, a “revogação de conjunto de leis e medidas que atrasam o Brasil”.

Nessa polarização entre o capital e o trabalho, o capital tem se sobressaído. Ele entende ainda quo cenário ainda é de tentativa de golpe de Estado, na medida em que o presidente da República se vê na iminência da derrota eleitoral.

Conape 2022

A avaliação corrente relativa à Conape (Conferência Nacional Popular de Educação) é de que, apesar das dificuldades políticas e de alguns problemas no evento propriamente dito em Natal (RN), em meados de julho, o evento foi positivo e trouxe ganhos relevantes para o debate sobre a educação.

Madalena destacou o papel do FNPE (Fórum Nacional Popular de Educação) no processo de construção da Conape. Na opinião dela e de Gilson, o fórum deverá desempenhar papel relevante na construção de propostas de políticas públicas para educação num eventual governo Lula.

A Executiva tratou ainda da campanha de engajamento nas eleições; do plano de recuperação judicial da rede metodista, cuja assembleia de credores acontece na próxima terça (10); da MP (Medida Provisória) 1109, que cria estado de sítio dos direitos trabalhistas e vai ser debatida pelo Coletivo Jurídico da Contee no dia 22; e da atuação internacional da entidade junto à CEA (Confederação dos Estados Americanos) , à IE (Internacional da Educação) e à CPLP-SE (Confederação Sindical da Educação dos Países de Língua Portuguesa).

Marcos Verlaine e Táscia Souza

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