Brasil cria 112 mil vagas de emprego em janeiro e estoque formal bate recorde
Com mais de 48,5 milhões de trabalhadores com carteira, o país acumula 1,2 milhão de empregos em 12 meses; Indústria lidera geração de vagas e salário médio sobe 3,3%
O mercado de trabalho formal brasileiro iniciou 2026 com vigor, registrando a criação de 112.334 novos postos de trabalho com carteira assinada apenas em janeiro. Os dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, revelam um cenário de expansão contínua: o estoque total de vínculos ativos no país ultrapassou a marca histórica de 48,5 milhões.
Em uma análise de doze meses, entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, o Brasil acumulou um saldo positivo de 1.228.483 empregos, representando um crescimento de 2,6% na base de trabalhadores formalizados.

Indústria puxa crescimento e comércio ajusta sazonalidade
A distribuição dos novos postos reflete a dinâmica de retomada de diferentes setores da economia. A Indústria foi a grande protagonista do mês, responsável pela geração de 54.991 vagas, demonstrando força na produção e na manufatura. O setor de Construção Civil também apresentou desempenho robusto, adicionando 50.545 empregos, enquanto Serviços e Agropecuária contribuíram com saldos positivos de 40.525 e 23.073 vagas, respectivamente.
O único segmento a registrar queda foi o Comércio, que eliminou 56.800 postos. Especialistas apontam que o resultado negativo é esperado e típico do período pós-festas de fim de ano, quando ocorre a dispensa de trabalhadores contratados temporariamente para atender à alta demanda de dezembro. Fora essa sazonalidade, quatro dos cinco grandes grupamentos econômicos caminharam na direção da expansão.

Dinâmica regional e qualidade do emprego
Geograficamente, a geração de emprego mostrou-se descentralizada, com 18 das 27 Unidades da Federação apresentando saldo positivo no mês. O Sul e o Centro-Oeste destacaram-se como motores regionais: Santa Catarina liderou em números absolutos com 19.000 novas vagas, seguida por Mato Grosso (+18.731) e Rio Grande do Sul (+18.421). Em termos relativos, Mato Grosso registrou o maior crescimento percentual (1,9%), indicando uma aceleração econômica significativa no estado.
Quanto à qualidade e natureza dos vínculos, 58% das admissões em janeiro foram classificadas como empregos típicos, caracterizados por jornadas padrão e maior estabilidade. Os restantes 42% correspondem a modalidades não típicas, impulsionadas principalmente por contratações via CAEPF (comum no agronegócio da soja), aprendizes e jornadas reduzidas de até 30 horas. Essa diversificação reflete tanto a flexibilidade demandada por certos setores quanto políticas de inclusão de jovens no mercado.

Remuneração em alta e perspectivas
Um dos indicadores mais animadores do relatório foi a evolução da remuneração. O salário médio real de admissão em janeiro de 2026 atingiu R$ 2.389,78, um aumento de 3,3% em relação a dezembro de 2025 e de 1,77% na comparação anual, já descontada a inflação. Há uma distinção clara entre as modalidades: trabalhadores em regimes típicos receberam, em média, R$ 2.428,67, valor 1,6% acima da média geral. Já nos regimes não típicos, a média ficou em R$ 2.136,37, refletindo a natureza intermitente ou de menor carga horária desses contratos.
Com esses resultados, o Brasil consolida um ciclo virtuoso de formalização. O estoque de 48.577.979 trabalhadores com carteira assinada não apenas representa um recorde histórico, mas sinaliza a recuperação da capacidade de geração de renda e proteção social para milhões de brasileiros, consolidando a confiança na trajetória de crescimento econômico do país para o ano que se inicia.





