Presidenta da Ubes critica escolas cívico-militares e defende educação pública

Na nova edição do Entrelinhas Vermelhas, Roberta Pontes defende ampliação do Pé-de-Meia, combate à misoginia nas escolas e mais investimentos públicos na educação

O 46º Congresso da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) elegeu, em abril, Roberta Pontes como nova presidenta da entidade. No programa Entrelinhas Vermelhas desta quinta-feira (7), a jovem pernambucana falou sobre quais são as lutas atuais dos estudantes, passando por temas como o combate à misoginia, a defesa da soberania nacional, o programa Pé-de-Meia e mais investimentos na educação, a luta contra as escolas cívico-militares, a importância de grêmios estudantis e as eleições de 2026.

Durante a conversa, Roberta falou da sua trajetória no movimento estudantil, iniciada na busca por melhorias estruturais na sua escola, passando pela União Metropolitana das e dos Estudantes Secundaristas (Umes) de Pernambuco até chegar à militância na Ubes.

Sobre o Congresso da entidade, destacou a importância dos temas debatidos, em especial sobre o combate ao assédio dentro das escolas. Ela lembra que há dez anos as meninas estudantes de todo o país organizavam a ‘Primavera Feminista/Secundarista’ com ocupações nas escolas para denunciar a cultura do estupro no país e pedir melhores condições para a educação.

Uma década se passou, mas a misoginia continua a crescer dentro da sociedade e no ambiente escolar. Nesse sentido, a presidenta da Ubes reforça que a entidade lançará uma campanha contra o assédio dentro das escolas a partir de 11 de maio, com um grande dia nacional de mobilização em 19 de maio.

Roberta Pontes. Foto: Ubes
“A construção dessa escola mais segura para as nossas meninas, livre da misoginia, livre da violência e do ódio, e em combate a esses movimentos [red pill], é a construção de um Brasil mais seguro para todas nós”, diz a secundarista, que ainda lembra a importância de criar na juventude a consciência sobre a utilização de conteúdos digitais para desenvolver o pensamento crítico e combater fake news.

Outras pautas que atravessam os debates dos estudantes são a defesa da soberania nacional e uma maior integração latino-americana. Para alcançar isso, a Ubes reforça as discussões sobre a necessidade de defender o país e suas riquezas contra os ataques externos, principalmente promovidos pelos Estados Unidos, ao mesmo tempo que pauta a necessidade do ensino do espanhol como terceira língua nas escolas, como forma de aprofundar a relação com as culturas e a população dos países vizinhos.

Assista à íntegra da entrevista:

A permanência estudantil também foi tratada na entrevista. O programa Pé-de-Meia foi elogiado por estancar a evasão escolar acentuada no governo Jair Bolsonaro, no entanto, Roberta defende que o governo Lula amplie a iniciativa para chegar a mais estudantes.

“A gente faz essa defesa para que todos os estudantes do ensino médio consigam ser alcançados por essa política pública que ajuda os estudantes a estarem dentro da sala de aula, concentrados na escola e não pensando no pão que eles têm que levar para casa”, afirma.

A partir da defesa de mais políticas públicas estudantis, a nova presidenta da Ubes pede por melhores estruturas físicas para os estudantes, bem como para que os valores aplicados na educação sejam tratados como investimento, não como gasto. Uma das ideias defendidas é que os recursos de toda a educação fiquem fora do limite fiscal.

Ao tratar o tema, reforça as vitórias que a pressão do movimento estudantil conquistou, como a que excluiu o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) dos limites do arcabouço fiscal e a que estabeleceu o Plano Nacional de Educação (PNE 2026-2036).

“A gente precisa sempre fazer essa defesa: que a gente consiga fazer com que os deputados, os políticos, o governo, entendam que a educação é e deve ser vista como prioridade, porque é o que faz com que o nosso Brasil seja desenvolvido”, salienta.

Um ponto alto da entrevista trata sobre o repúdio ao avanço das escolas cívico-militares, incentivadas pela extrema direita e que representam um modelo de opressão e autoritarismo.

“É um modelo que não forma criticamente os estudantes, que joga os estudantes para se tornarem massa de manobra de um mercado com mão de obra barata, com escala 6×1. A gente quer uma escola mais científica, mais tecnológica, uma escola que tenha mais cultura, mais esportes. E o modelo das escolas cívico-militares é completamente oposto do que a gente defende para a educação pública brasileira”, critica Roberta Pontes.

Por fim, a líder da Ubes passa pela importância dos Grêmios Estudantis para a organização da luta por melhores condições para a educação e ainda pela mobilização para as eleições de 2026, destacando que os secundaristas protagonizaram uma grande campanha na eleição passada para que jovens tirassem o primeiro título de eleitor, o que contribuiu para a vitória do presidente Lula sobre Bolsonaro.

Por Murilo da Silva

Fonte
Vermelho

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