Nota de apoio à paralisação das trabalhadoras e dos trabalhadores da educação da rede privada do Piauí
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), entidade sindical de grau superior que representa as trabalhadoras e os trabalhadores da educação privada brasileira, manifesta seu apoio à paralisação convocada pelo Sindicato dos Professores e Auxiliares da Rede Privada de Ensino do Piauí (Sinpro-PI) para o dia de hoje, 25 de maio de 2026.
As reivindicações apresentadas pelo Sinpro-PI, reajuste salarial acima da inflação; concessão de auxílio‑alimentação; pagamento de adicional por tempo de serviço; manutenção de piso salarial digno; retorno da bolsa de estudos integral para trabalhadoras e trabalhadores do ensino superior; melhoria na gratificação por qualificação no ensino básico; pagamento da hora‑atividade extraclasse e o fim da pejotização na educação básica e superior, são legítimas e urgentes. Cada um desses itens corresponde a um direito historicamente conquistado ou a uma necessidade concreta de reposição do poder de compra e de valorização profissional.
A urgência da paralisação fica evidente quando se examina a dinâmica econômica das instituições de ensino. A educação privada é um setor altamente lucrativo, conforme destacou Kleber Ibiapina Gomes, coordenador da Secretaria de Direitos Humanos, Respeito à Diversidade e Etnias e Combate ao Racismo da Contee e diretor de assuntos sindicais do Sinpro-PI. Kleber ressalta: “O reajuste das mensalidades é em janeiro e o reajuste dos trabalhadores é em maio. Então passam quatro meses com lucro 100% e oito meses com custos dos trabalhadores.”
Essa lógica reflete-se nos dados: enquanto as mensalidades foram reajustadas em 9,8% em 2026, percentual 150% acima da inflação, os salários das trabalhadoras e dos trabalhadores da educação tiveram reajuste de apenas 12,8% acumulado nos últimos três anos, contra um aumento de 32,22% nas mensalidades no mesmo período. Além disso, para 40% das escolas de Teresina, apenas 1,07 aluno cobre o custo do professor, e professoras e professores mensalistas possuem um piso salarial abaixo do salário mínimo.
Essa realidade sustenta as reivindicações concretas da categoria e explica por que a mobilização é necessária. O presidente do Sinpro-PI, Jurandir Soares, denunciou durante o ato a gravidade da situação enfrentada pelas trabalhadoras e pelos trabalhadores: “Há uma sobrecarga extraclasse dos professores, principalmente no ensino infantil e fundamental, e uma defasagem salarial que se acumula desde 2020. São perdas em torno de 5% para o ensino básico e 10% para o ensino superior.”
Jurandir também destacou o adoecimento das trabalhadoras e dos trabalhadores como consequência direta da ausência de valorização: “Temos em torno de 20 mil trabalhadores da educação na rede privada do Piauí. A gratificação para o mestrado e doutorado está altamente defasada, há adoecimento dos professores. Exigem qualificação, mas não contribuem para a valorização.”
As negociações com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Piauí (Sinepe-PI) tiveram início em fevereiro, mas, até o momento, a categoria não recebeu uma contraproposta do sindicato patronal. Uma nova reunião está marcada para 2 de junho, e a paralisação de hoje reforça a disposição das trabalhadoras e dos trabalhadores de não aceitarem mais adiamentos sem avanços concretos.
O Sinpro-PI é entidade de base filiada à Contee e tem conduzido a mobilização com firmeza, transparência e compromisso democrático. A concentração ocorreu no balão das avenidas Raul Lopes e Jóquei Clube, em Teresina, e reuniu dezenas de trabalhadores e trabalhadoras da rede privada em um ato que expressou a força organizada da categoria e a disposição de lutar por condições dignas de trabalho e de vida.
A defesa intransigente da valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores da educação é, para a Contee, um princípio inegociável. Trata‑se de garantir autonomia profissional, condições adequadas de ensino, respeito à carreira e reconhecimento social, uma educação de qualidade exige profissionais valorizados, estáveis e com voz ativa nas decisões que afetam seu trabalho. A Contee reafirma seu compromisso de apoiar técnica, jurídica e politicamente todas as lutas de suas entidades filiadas em defesa desses direitos, inclusive contra a pejotização, que avança na educação básica e superior.
Neste 25 de maio de 2026, a Contee saúda a categoria da educação privada piauiense pela coragem de paralisar suas atividades. Que este movimento seja um marco de resistência e de reconstrução da dignidade profissional, a luta das trabalhadoras e dos trabalhadores da educação do Piauí é a luta de toda a educação privada brasileira. A Contee está e estará ao lado de cada paralisação justa, de cada greve legítima, de cada ato de coragem em defesa do trabalho decente.
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino – Contee





