Trabalhadores não podem esperar; é hora de aprovar fim da escala 6×1, diz Lula
Presidente afirma que está pronto para assinar a lei, já aprovada na Câmara. Reaproximação entre Alcolumbre e Lula pode destravar votação no Senado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou, nesta terça-feira (11), a necessidade da aprovação do fim da escala 6×1 para melhorar a vida da classe trabalhadora. Após passar pela Câmara e ficar em compasso de espera no Senado, a proposta ganhou novo impulso nesta semana.
“Os trabalhadores do nosso país não podem mais esperar. Chegou a hora de aprovarmos o fim da escala 6×1. Eu já estou pronto para assinar e garantir esse avanço histórico para o nosso povo”, disse Lula, em postagem nas redes sociais.
Aprovada no final de maio por ampla maioria na Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) — que acaba com a escala 6x1e diminui a jornada de trabalho para 40 horas semanais sem a redução salarial — aguarda liberação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para tramitar na Casa.
Embora houvesse a expectativa da matéria ser sancionada antes das eleições, a posição adotada por Alcolumbre contra o governo deixou o texto em compasso de espera. O mal-estar entre o senador e Lula teve início após Alcolumbre articular a não aprovação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) por desejar que um nome de sua indicação assumisse a vaga.
Desde a semana passada, uma reaproximação entre os presidentes vem se desenhando e, segundo informou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Alcolumbre teria sinalizado a aliados uma trégua que pode resultar na votação do projeto a partir de novembro. Por outro lado, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), aposta na construção de um consenso para viabilizar a aprovação da matéria.
Luta histórica
A lula pela redução da escala e das horas trabalhadas é uma das mais antigas do movimento sindical e ganhou novo impulso nos últimos anos, culminando na retomada da pauta no Congresso Nacional e sua adoção como prioridade pelo governo Lula.
O programa para o quarto mandato do presidente, protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ressalta a continuidade da luta pela aprovação da proposta. “Manteremos nossa ação junto ao Senado Federal para assegurar o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas, sem redução salarial, nos termos aprovados na Câmara dos Deputados”, aponta o texto. O item compõe um tópico especialmente voltado a medidas de valorização do trabalho e aos direitos da classe trabalhadora.
O tema deverá, também, ser um dos pontos altos do primeiro ato de campanha de Lula, que será realizado no dia 16 de agosto, às 9h, no Estádio Municipal 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), eternizado na história brasileira como Estádio da Vila Euclides. A campanha de mobilização para o ato, batizada de “Lula: onde tudo começou”, convida os brasileiros de todas as gerações a ocupar novamente o espaço.
No local, Lula fez alguns dos discursos mais emblemáticos da história, em meio às greves dos anos 1979-1980, no bojo da luta pela redemocratização do País e pelas Direitas Já.
Numa das mais importantes assembleias daqueles anos, no dia 1º de Mario de 1979, Dia do Trabalhador, o estádio recebeu aproximadamente 150 mil pessoas. O acontecimento levou a arena esportiva a ser rebatizada com o nome da data máxima dos trabalhadores.
A liderança de Lula na mobilização popular e sua luta em defesa da democracia e dos direitos da classe trabalhadora, traduzida na força daqueles atos, projetaram nacionalmente o dirigente metalúrgico que, 24 anos depois, se tornaria o primeiro presidente brasileiro oriundo da classe trabalhadora.
Por Priscila Lobregatte





