Professores do setor privado do Rio aprovam estado de greve e rejeitam proposta patronal

Em assembleia realizada no último sábado (27), os professores das escolas particulares do município do Rio de Janeiro, categoria representada pelo Sinpro-Rio, rejeitaram a proposta apresentada pelo Sinepe-Rio e aprovaram, por unanimidade, o estado de greve.

A oferta patronal previa reajuste salarial de 3,77%, além de ampliação de apenas dois dias na licença-paternidade sobre o período já garantido por lei. Para os professores e professoras, o índice equivale ao INPC e está longe de representar qualquer avanço real, já que o processo de negociação, segundo a categoria, se resume ano após ano à discussão do percentual de reajuste, deixando de lado pautas estruturais que se arrastam há anos sem solução.

Com a aprovação do estado de greve, o sindicato sinaliza que vai intensificar a mobilização caso as negociações continuem paradas. A data da próxima assembleia, na qual será definida a forma de paralisação e o período de suspensão das aulas, ainda será divulgada.

Adoecimento e sobrecarga

Em entrevista ao Programa Faixa Livre, o secretário-geral do Sinpro-Rio, Afonso Celso Teixeira, detalhou os pontos de impasse com o sindicato patronal e explicou por que a categoria chegou ao estado de greve.

Segundo ele, as reivindicações da educação básica privada são antigas e nunca foram atendidas pelo patronato: equiparação salarial, aumento diferenciado do piso — que segue inferior ao piso nacional válido para a rede pública —, valorização de professores que investem em formação continuada e pagamento do tempo extraclasse, previsto na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) mas garantido, na prática, só à rede pública.

Teixeira relacionou diretamente essas condições de trabalho ao quadro de adoecimento mental entre professores e ao risco de um apagão docente, temas que o sindicato vem denunciando. Para ele, o trabalho fora da sala de aula cresceu de forma expressiva nos últimos anos, o que agrava esse cenário.

O dirigente relembrou que, no ano anterior, o Sinepe-Rio chegou a marcar duas reuniões paritárias específicas para tratar do tema, após o fechamento da convenção coletiva daquele ciclo, para discutir reajuste diferenciado do piso, equiparação salarial e valorização do aprimoramento acadêmico. Nenhuma delas resultou em consenso ou sequer em uma proposta mínima do sindicato patronal.

Sobre o extraclasse, Teixeira contestou o argumento apresentado pelo Sinepe-Rio no ano passado, de que a plataformização das escolas reduziria a carga de trabalho do professor fora da sala de aula. Para ele, ocorre o oposto: a plataformização tem sido um dos principais fatores de afastamento de professores do magistério por questões de saúde mental, porque as plataformas dependem do trabalho docente para funcionar.

“Quando a gente chega a falar em estado de greve é porque realmente a gente já está cansado de discutir apenas o índice salarial. Todos os anos o patronal retira qualquer possibilidade de avanço para simplesmente discutir o reajuste salarial”, afirmou.

O que está em disputa

A principal reivindicação é a inclusão, na Convenção Coletiva de Trabalho, do pagamento do tempo extraclasse no percentual previsto pela LDB, de um terço da jornada, equivalente a 33,33%. O sindicato reconhece que esse índice não seria alcançado de imediato, mas afirma que o patronato se recusa a estabelecer sequer um percentual inicial de 5%, o que mostra a resistência em reconhecer formalmente que esse tempo de trabalho não remunerado existe.

Outro ponto de impasse é o piso nacional do magistério. Ele ressaltou que o reajuste da categoria costuma ser sempre inferior ao piso nacional. “Essas duas questões são fundamentais para o professor, que está ganhando cada vez menos e trabalhando cada vez mais”, resumiu.

Por Andressa Schpallir

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