Carta do Sintrae-MT ao diretor do Colégio Salesiano São Gonçalo

Pe. Marcelo Fujimura

Senhor diretor,

Sem rodeios, é preciso que se diga à comunidade e a todos quantos reconhecem a trajetória e a relevância do Colégio Salesiano São Gonçalo para a construção do estado de Mato Grosso, nos seus 132 anos de história em Cuiabá, que os poucos meses de gestão de Vossa Senhoria têm sido marcados pela desconstrução do ambiente escolar saudável e harmonioso, fundado no desenvolvimento do projeto salesiano, no respeito às relações profissionais, no diálogo permanente, cultivado e realizado por décadas a fio.

Sua curta gestão tem se pautado pela insegurança, autoritarismo desmedido, intolerância, hostilidade e perseguição aos profissionais da educação (professores/as e administrativos/as). Isso se constata por diversas atitudes e condutas de Vossa Senhoria, do senhor vice-diretor – Pe. Danilo – e da senhora coordenadora pedagógica – Michela Falcão –, todas alheias aos princípios constitucionais que regem o ensino, com destaque para a liberdade de aprender e ensinar e o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas (Art. 206, da Constituição Federal (CF)). Cabendo registrar que Vossa Senhoria tem afirmado e reafirmado que não arredará um milímetro dessas atitudes e condutas.

Dentre tais atitudes e condutas incompatíveis com a educação, que é o primeiro e mais importante direito social da sociedade brasileira, conforme o Art. 6º da CF, sobressaem:

I           a grosseria no trato com professores/as e administrativos/as. Aliás, vale anotar que Vossa Senhoria, em mais de uma oportunidade, repetiu que “simpatia é a única dádiva que Deus não lhe confiou”;

II      intolerância religiosa e desrespeito à diversidade;

III cobranças abusivas de excessivo volume de demandas administrativas, frequentemente comunicadas fora da jornada de trabalho;

IV        afrontosa invasão de salas de aulas, pelo vice-diretor Pe. Danilo e pela coordenadora pedagógica Michela Falcão, sem sequer aviso e comunicação prévios, com o claro e ostensivo mau propósito de constranger o/a professor/a, como se fossem censores;

V         relatórios subjetivos, contendo observações abusivas e avaliações negativas do trabalho docente, em total e inaceitável censura e desqualificação do/a professor/a vigiado/a;

VI        abordagens enviesadas de alunos/as, visando a deles/a obter avaliações pejorativas de seus/suas professores/as;

VII     coação aos/às professores/as, na presença de alunos/as, com considerações inoportunas, descontextualizadas e alheias ao ambiente da sala de aula.

Esse assédio moral, permanente, reiterado e progressivo, praticado por Vossa Senhoria e os citados dois integrantes de sua equipe, tem provocado constantes e crescentes abalos emocionais e adoecimento dos/as professores/as e dos/as administrativos/as. Bem assim, gerado descontentamento generalizado entre eles/as, com absoluta desmotivação e perda de confiança do ambiente de trabalho.

Por tudo isso, que representa singela síntese do assédio moral que Vossa Senhoria pratica,  patrocina e reitera, o Sintrae-MT, que tem o inarredável dever constitucional de bem representar os/as trabalhadores/as que são as vítimas de sua antidemocrática gestão, pergunta-lhe: até quando, Senhor diretor, Vossa Senhoria vai continuar tratando a educação ministrada pelo Colégio Salesiano São Gonçalo como mercadoria, os alunos como clientes e os/as trabalhadores/as como balconistas, que têm como missão vendê-la?

Fazendo-o em absoluto desprezo e inversão dos comandos do Art. 205 da CF, que estabelecem os objetivos da educação, que são: pleno desenvolvimento da pessoa humana, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Sempre observados pelo Colégio Salesiano, até o início de sua gestão.

Até quando, Senhor diretor, Vossa Senhoria vai continuar transformando o ambiente escolar em calvário para os/as trabalhadores/as e para os/as alunos/as?

Até quando, Senhor diretor, Vossa Senhoria vai fazer tábula rasa do trabalho decente e do ambiente de trabalho sadio, seguro e aprazível?

Até quando, Senhor diretor, Vossa Senhoria vai continuar tratando os/as trabalhadores/as como meros instrumentos de trabalho, sem qualquer respeito e valorização humana?

Com a palavra, Senhor diretor!

Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos De Ensino do Estado de Mato Grosso

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