Contee e Sintrae-MT denunciam demissão de professor ocorrida por pressão da extrema-direita

Anderson Cardoso Ribeiro foi demitido, via WhatsApp, do Colégio Jean Piaget, em Sinop (MT), por ter criticado nas redes sociais os bloqueios antidemocráticos organizados por golpistas que não só atentam contra a democracia brasileira, como também comprometem a vida da sociedade

A Contee (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino), juntamente com o Sintrae-MT (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino do Estado de Mato Grosso), manifesta seu total apoio ao professor de História Anderson Cardoso Ribeiro. O docente foi demitido, via WhatsApp, do Colégio Jean Piaget, instituição do setor privado do município de Sinop (MT). O motivo foi ter criticado nas redes sociais os bloqueios antidemocráticos organizados por golpistas que não só atentam contra a democracia brasileira, como também comprometem a vida da sociedade.

A denúncia da demissão foi feita à Contee pela ex-diretora da Confederação e presidenta do Sintrae-MT, Nara Teixeira de Souza. Segundo Anderson Ribeiro, no último dia 1° de novembro, dois dias após as eleições, por volta de 18h, ele publicou em seu perfil particular no Instagram crítica ao movimento que interrompeu o fluxo de veículos na BR-163. Na postagem, o professor apontou o fato de o movimento acontecer em pleno dia útil, forçando parte do comércio de Sinop a parar — comércio que, aliás, se negou a fechar as portas durante a pandemia da covid-19, alegando risco de falência. Ribeiro também comentou, no post, os prejuízos para toda a sociedade e o fato de que a não aceitação do resultado eleitoral pelos manifestantes de extrema-direita é um crime contra a democracia.

O professor relatou à Contee que, já no feriado de 2 de novembro, amigos alertaram que o vídeo com as críticas, gravado por ele para circular entre conhecidos, havia sido compartilhado em supostas páginas de “humor” de Sinop, mantidas por milícias digitais da extrema-direita. Diante disso, o docente recebeu mensagem de áudio da diretora do Colégio Jean Piaget dizendo que estavam associando o vídeo dele ao nome da instituição — embora, em nenhum momento, ele tenha citado a escola.

Em outras mensagens de áudio, a diretora se disse pressionada por famílias bolsonaristas — que teriam, inclusive, pedido acareação com o professor — e chegou a sugerir que Ribeiro se retratasse com os pais dos estudantes, apesar de o docente não ter motivos para tal, já que não havia citado ninguém nominalmente. Por fim, a diretora disse que ele não precisava mais se retratar e enviou a cópia de story de Instagram em que estava informado que o professor estava demitido do estabelecimento de ensino. Conforme Ribeiro, foi dessa forma que ele soube de seu desligamento do colégio.

Como se não bastasse o profundo desrespeito e à afronta ao livre pensamento, direito constitucional, e à liberdade de expressão do professor — que, neste caso, não tem nem sequer a ver com liberdade de cátedra, uma vez que as críticas não foram feitas dentro de sala de aula —, Ribeiro tem sido exposto e intimidado nas páginas de extrema-direita. De acordo com o relato dele, meme com sua imagem, acompanhada da notícia da demissão, passou a ser compartilhado com deboche, comemorando que ele tenha perdido o emprego. O professor tem ainda sido alvo de ofensas, calúnias, difamação e até mesmo ameaças de morte.

As medidas judiciais cabíveis estão sendo tomadas pelo advogado de Anderson Ribeiro e pelo Sintrae-MT. A Contee, mais uma vez, expressa sua irrestrita solidariedade ao professor e se coloca à disposição dele e do sindicato. Além disso, a Confederação manifesta seu repúdio à atitude do Colégio Jean Piaget, bem como aos grupos de extrema-direita que atacam a democracia do País e que, não de hoje, perseguem e tentam criminalizar o magistério. As devidas providências já estão sendo tomadas.

Não passarão!

Brasília, 4 de novembro de 2022.

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee

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