A corrupção como bandeira

Sérgio Roberto Scheffer*

O Brasil esta passando por um momento riquíssimo em sua história política. As pessoas estão saindo às ruas para se manifestar. As pautas de reivindicação são múltiplas, os movimentos ecléticos e heterogêneos, uns bem politizados e outros menos. O brasileiro quer exercer a sua cidadania e isso fortalece a democracia. Podemos ao final disso tudo conseguir avanços importantes para o país ou ficar onde estamos, ou até mesmo retroceder. Não temos nada definido, tudo vai depender da continuação ou não das mobilizações e em torno de quais bandeiras elas irão convergir.

Uma bandeira sempre presente nestes momentos de manifestações é a da corrupção. Muitos brasileiros acreditam que a corrupção seja o nosso maior problema. É um grave problema? Sim! Mas está mais para consequência do que causa. Os brasileiros saíram às ruas para protestar e pedir o fim da corrupção. É importante lembrar que a pauta principal da grande mídia nacional e dos partidos de oposição (PSDB, DEM e PPS) é a corrupção. Os escândalos de corrupção no país são frequentes e não são de agora. O brasileiro se sente cada vez mais traído por seus representantes.

O momento é delicado em relação a esta questão e é preciso estar atento com essa bandeira. Não basta apenas gritar e desejar o fim da corrupção. É preciso entender como ela ocorre, em que condições políticas,  econômicas e sociais ela ocorre e se desenvolve. As instituições políticas (partidos e mídia) que se manifestam contra a corrupção agem certo, mas precisam dizer como pretendem combatê-la. Quais são os métodos e ações a serem adotados para pôr fim à corrupção? Se não fizer isso, o discurso cai no vazio.

O Brasil já elegeu dois presidentes através da bandeira da corrupção. Eles foram apresentados ao país pelos setores conservadores e direitistas como os salvadores da pátria. O primeiro foi Jânio Quadros da UDN, eleito presidente em 1960, cujo símbolo de campanha era uma vassoura. Ele subia no palanque com a vassoura e prometia aos brasileiros que iria varrer a corrupção em nosso país. Seu governo foi um desastre, teve a duração de sete meses e renunciou. Ficou sem apoio no Congresso e sem o apoio do povo. E a corrupção? Bem, essa só aumentou.

O segundo caso foi o do presidente Fernando Collor de Melo, eleito em 1989 com o apoio da Rede Globo, da Revista Veja e do Jornal Folha de S.Paulo. Ele era apresentado como o caçador de marajás e prometia acabar com a corrupção no país. O desfecho dessa história todos sabem. Collor teve um mandato desastroso e carregado de escândalos de corrupção e uso de drogas. O povo saiu às ruas e pediu impeachment, dois anos depois de eleito Collor deixava o cargo por pressão popular. Por isso, muito cuidado com a bandeira da corrupção.

Ela é uma bandeira necessária e deve ser levada muito a sério, mas ao pautar apenas a corrupção podemos ficar cegos diante dos outros problemas do país. O principal problema do país é a desigualdade social e é através desta desigualdade que surgem todos os demais, inclusive a corrupção. É possível que queiram nos vender um novo salvador da pátria. E aí? Como estamos reagindo diante de tanta informação? Que lado está falando a verdade? Quem representa os interesses dos trabalhadores? É preciso muita atenção, tem muito lobo vestido em pele de cordeiro. A direita já se manifestou contra o plebiscito popular. Por que será que eles não querem saber o que o povo tem a dizer?

*Sérgio Roberto Scheffer
Professor de História, Membro da diretoria da Contee e delegado Regional do Sinproeste Chapecó

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