‘Absurda e anticientífica’: especialistas repudiam associação entre HIV e vacina

Presidente Jair Bolsonaro afirmou que vacina contra covid pode levar ao desenvolvimento da síndrome de imunodeficiência adquirida

Entidades médicas e especialistas da área da saúde reagiram a uma fala do presidente Jair Bolsonaro que associou a vacina contra a covid-19 à transmissão de HIV (vírus causador da síndrome de imunodeficiência adquirida). Enquanto a Sociedade Brasileira de Infectologia publicou uma nota repudiando “toda e qualquer notícia falsa que circule e faça menção a esta associação inexistente”, pesquisadores afirmaram nas redes sociais que o presidente coloca em xeque a vacinação no país.

Em sua live semanal na quinta-feira (21), Bolsonaro leu uma notícia afirmando que vacinados contra a covid-19 estariam desenvolvendo a síndrome da imunodeficiência adquirida, doença popularmente conhecida como Aids, “mais rápido do que o previsto”. Segundo a noticía falsa, que foi veiculada em sites como Stylo Urbano e Coletividade Evolutiva, os dados teriam sido retirados de relatórios produzidos pelo Departamento de Saúde Pública do Reino Unido. Os relatórios originais não fazem nenhuma menção ao vírus causador da Aids.

Em nota, a Sociedade Brasileira de Infectologia afirmou que “não se conhece nenhuma relação entre qualquer vacina contra a covid-19 e o desenvolvimento de síndrome da imunodeficiência adquirida”. O mesmo foi reforçado por outros pesquisadores reconhecidos, como a epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin (EUA), Denise Garrett. A médica afirmou que a associação entre Aids e a vacina é “absurda e anticientífica”.

Jamal Suleiman, infectologista do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, refutou a hipótese de Bolsonaro, justificando que a vacina não utiliza nenhum fragmento do vírus causador da Aids, o HIV, e que a forma de transmissão das duas doenças também é complemente diferente. Enquanto a covid é transmitida pelo ar, o desenvolvimento da síndrome de imunodeficiência adquirida se dá pelo compartilhamento de seringas e relações sexuais.

Especialistas alertam que a fala do presidente Jair Bolsonaro pode contribuir para a hesitação vacinal, desincentivando que a população se vacine contra a covid-19. Bolsonaro, segundo Denise Garrett, endossa uma narrativa antivacina. Além disso, especialistas em infectologia apontaram que a fala do presidente reforça o estigma em torno de pessoas que vivem com HIV no país. “o que causa Aids é a desigualdade, o preconceito e o estigma”, publicou Vinícius Borges, infectologista especializado em saúde de pessoas LGBTI+.

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