Contee realiza reunião de Diretoria Plena e debate pautas urgentes das categorias
A diretoria plena da Contee se reuniu de maneira extraordinária, nesta quarta-feira (17/6), na sequência da sessão solene que marcou os 35 anos da entidade. No encontro estiveram presentes dirigentes de sindicatos e federações de todo o país para debater as pautas mais urgentes do movimento sindical da educação privada num momento marcado pelas tensões impostas pelo avanço do capital sobre o setor.
Ao abrir a reunião, o coordenador-geral da Confederação, Railton Nascimento, situou o momento da entidade dentro de um quadro mais amplo de disputas. Destacou o avanço do imperialismo sobre a América Latina e a postura dos Estados Unidos de desrespeito à soberania nacional como pano de fundo de uma conjuntura que exige reorganização do movimento sindical — ainda em recuperação após o que chamou de “governo da destruição nacional” de Jair Bolsonaro. Com o presidente Lula, avaliou, abriu-se uma janela para reconstruir políticas sociais e fortalecer a democracia, mas sem ilusões de trégua: a luta de classes, disse ele, não tem pausa, e o papel dos dirigentes sindicais da educação é o de oferecer tanto reflexão quanto rumo para as batalhas atuais e as que virão.
Railton também celebrou o êxito da sessão solene dos 35 anos, ressaltando a presença de parlamentares como a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), que atuam na defesa intransigente das pautas da classe trabalhadora.
Confira aqui a cobertura da cerimônia
Um dos pontos do debate foi o marco regulatório do ensino superior e a ofensiva patronal em torno da figura do mediador pedagógico. Entidades como a Confenen (que representa o setor patronal) tentam classificar o mediador como cargo técnico-administrativo. A Contee avalia que o movimento é uma estratégia para reduzir custos e precarizar as condições de trabalho, a serviço dos interesses do capital aberto que hoje dirige a confederação patronal.
Também foi pauta da discussão a batalha pela redução da jornada 6×1, aprovada na Câmara dos Deputados mas travada no Senado, onde projetos alternativos como a PEC 12/2026, do senador Rogério Marinho (PL), ameaçam não apenas barrar a reforma como ampliar a exploração sobre os trabalhadores.
A situação das campanhas salariais ainda abertas também foi contemplada. Bahia e Minas Gerais concentraram as atenções: no primeiro estado, a categoria está em estado de greve após o patronal recuar de propostas de redução de direitos sem apresentar contrapartidas; em Minas, o impasse envolve a tentativa de fragmentar a convenção coletiva e a pressão em torno do mediador pedagógico nas negociações com os sindicatos de auxiliares. A diretoria debateu formas concretas de solidariedade, incluindo amplificação nas redes sociais e articulação nacional para apoiar os sindicatos ainda em luta, com publicação de notas de apoio das entidades filiadas.
O professor Railton Nascimento, coordenador-geral da Contee, chamou atenção para a reorganização das entidades patronais, que têm atuado de maneira coordenada para promover retrocessos nos direitos trabalhistas. Diante disso, a direção da Contee encaminhou a busca de ações incisivas junto ao Ministério da Educação e ao Congresso Nacional, como audiências com o ministro Leonardo Barchini e a interlocução com parlamentares aliados. Os dirigentes também aprovaram a orientação, às entidades filiadas, da greve como direito e ferramenta legítima dos trabalhadores e trabalhadoras frente à intransigência patronal.
Por fim, foi encaminhado o desenvolvimento de uma campanha nacional sobre o adoecimento do professor e a sobrecarga de trabalho, além da criação de um protocolo de enfrentamento à violência contra os trabalhadores, considerando questões raciais, de gênero e de inclusão.
O seminário nacional sobre ensino superior privado, marcado para os dias 26 e 27 de junho, foi destacado como oportunidade estratégica para aprofundar o debate sobre regulação e adoecimento docente, com a participação de representantes da comissão bicameral que discutiu as diretrizes do setor.
A reunião aconteceu em Brasília, na sede da entidade, e contou com a presença de integrantes da diretoria atual e de gestões anteriores.
Encaminhamentos
- Articulação, com urgência, de uma reunião com o ministro da Educação, Leonardo Barchini
- Elaborar moção de apoio em favor ao Sinpro Bahia e ao Sinpro Minas, conclamando sindicatos e federações filiadas a manifestarem solidariedade à campanha salarial.
- Articular, através da secretaria de Relações Institucionais, agendas com os parlamentares e membros do governo sobre as políticas educacionais e as demandas dos trabalhadores do setor privado de ensino.
- Elaborar, através da Secretaria de Assuntos Jurídicos, protocolo nacional de enfrentamento à violência nas instituições de ensino, contemplando medidas de prevenção, acolhimento e orientação para situações de violência contra professoras, professores, técnicas e técnicos administrativos.
- Elaborar documento orientador sobre greve, destinado às entidades filiadas que se encontram em processo de negociação coletiva ou em situação de impasse.
- Elaborar, através da Secretaria de Comunicação, campanha nacional sobre o adoecimento da categoria docente e a sobrecarga de trabalho
Por Andressa Schpallir





