Fortalecer os sindicatos e valorizar o trabalho

Neste ano de 2022 completam-se 5 anos de vigência da Lei 13.467/17, a Reforma Trabalhista patrocinada pelo governo Temer. Na época, se dizia que tal reforma visava adequar a legislação às novas relações de trabalho

Nivaldo Santana*

Para defender o mais grave ataque à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o governo dizia que, com a reforma, haveria maior liberdade contratual, com segurança jurídica e menor interferência do Estado nas relações do trabalho.

Com isso, sempre segundo o governo, seriam fortalecidas as negociações coletivas e as soluções extrajudiciais dos conflitos trabalhistas. De quebra, haveria promoção e geração de empregos com o advento de novas modalidades de contratação.

Para viabilizar o saco de maldades contido na malfadada Reforma Trabalhista, a CLT foi desfigurada, o acesso à Justiça do Trabalho foi dificultado e o movimento sindical tolhido no poder de negociação e na sustentação material.

A dura realidade fala mais alto do que o discurso oficial. As negociações coletivas diminuíram, boa parte dos acordos e convenções coletivos impõe perdas de salários e de direitos, e não passa de mito as propaladas soluções extrajudiciais dos conflitos.

O centro do ataque foi dirigido ao movimento sindical. A perda das receitas da contribuição sindical foi imensa. Um único dado demonstra isso. A contribuição sindical desabou de R$ 2,8 bilhões em 2017 para apenas R$ 22,8 milhões em 2021.

Com essa asfixia financeira, muitos sindicatos fecharam e outros, na luta pela sobrevivência, tiveram que se desfazer de patrimônio e diminuir drasticamente o número de funcionários, além de limitar em demasia as atividades.

Por todas essas razões, a grande maioria do movimento sindical brasileiro tem consciência da importância de intervir no processo eleitoral em curso, derrotar o governo de extrema-direita e fortalecer a campanha Lula e Alckmin.

Para além da eleição de novo presidente, é fundamental também conquistar um Congresso Nacional e assembleias legislativas renovados e de caráter progressista, para defender a mudança de rumo necessária para o nosso País.

Dentre essas mudanças, ênfase especial precisa ser dada a um projeto de reconstrução e transformação nacional que coloque o fortalecimento sindical e a valorização do trabalho no topo da agenda.

Resgatar os direitos trabalhistas e previdenciários surrupiados e ampliar a regulação do trabalho para incorporar os trabalhadores informais, de aplicativos e por conta própria são necessidades imediatas.

Ao lado disso, é imperioso construir nova legislação que supere a Reforma Trabalhista e garanta o pleno exercício de representação e negociação dos sindicatos, bem como se estabeleça legalmente meios de financiamento dos sindicatos.

Todas estas tarefas estão entrelaçadas com a atual luta política em curso no País. Só um novo governo e mudanças significativas nos poderes legislativos federal e estaduais permitirão o avanço dessas propostas.

(*) Secretário de Relações Internacionais da CTB e de Movimento Sindical do PCdoB. Foi deputado estadual em São Paulo por 3 mandatos (1995-2007)

Diap

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