Lula reitera compromisso com política de valorização do salário mínimo e recuperação de direitos trabalhistas

“A escravidão acabou em1988”, afirmou o ex-presidente durante comício em Nova Iguaçu (RJ) quinta-feira (8). Referiu-se ao ano em que foi promulgada a Constituição brasileira, que consagrou direitos trabalhistas fundamentais e concebeu a valorização do trabalho como princípio e objetivo que devem nortear a sociedade brasileira.

O líder petista, que lidera todas as pesquisas de intenção de votos para a Presidência, reiterou os compromissos que assumiu com as centrais sindicais e disse que vai negociar a volta de direitos subtraídos da classe trabalhadora desde o golpe de Estado de 2016 (pelos governos Temer e Bolsonaro) desde o primeiro dia de governo se sair vitorioso das urnas.

Retrocessos

“Um presidente da República tem que ter um time. E o meu time são candidatos a deputado que vão me ajudar a desfazer aquilo que Temer e Bolsonaro fizeram”, afirmou. Temer, com a reforma trabalhista, a terceirização ilimitada e a EC 95, impôs grandes prejuízos à classe trabalhadora.

Bolsonaro aprofundou os retrocessos com a reforma da Previdência, inúmeras MP e outros meios para subtrair direitos com o falso discurso de que o trabalhador deve escolher entre ter emprego ou ter direitos. O ideal sonhado pelo grupo de bolsonaristas instalado para elaborar propostas de novas reformas na área trabalhista e sindical é a completa uberização das relações entre capital e trabalho, o que significaria o fim puro e simples do Direito do Trabalho.

Salário Mínimo e desenvolvimento

Lula também disse que vai restaurar a política de valorização do Salário Mínimo, que foi instituída em seu primeiro governo após negociação com as centrais sindicais. A nova política, que estabelecia o reajuste pela inflação acrescido de um aumento real correspondente ao percentual de crescimento do PIB, promoveu uma valorização estimada em mais de 70% para o piso nacional dos salários, o que estimulou também a valorização dos salários situados em outras faixas.

Mais dinheiro no bolso da classe trabalhadora ampliou o consumo social e, por consequência, fortaleceu o mercado interno e estimulou o crescimento da
economia. Apesar de seus impactos inegavelmente positivos para a sociedade e o desenvolvimento nacional, aumentos salariais sempre suscitam forte oposição dos setores mais reacionários da sociedade, provenientes do patronato brasileiro (que herdou e jamais superou a mentalidade da Casa Grande).

O golpe de 2016 foi perpetrado para destruir e reverter políticas convergentes com os interesses da classe trabalhadora e do povo e é isto que vem sendo feito ao longo dos últimos seis anos. Com Temer o Salário Mínimo começou a perder valor real, sendo reajustado abaixo da inflação. Jair Bolsonaro seguiu a mesma trilha antioperária, acabando com a política de valorização do piso nacional dos salários.

Com a reforma trabalhista imposta pelos golpistas foi instituída uma modalidade perversa de trabalho intermitente, pela qual até o direito ao salário mínimo está sendo ardilosamente subtraído à classe trabalhadora.

A crescente precarização e depreciação do trabalho, ao contrário das falsas promessas neoliberais, não favoreceu a recuperação dos investimentos, do emprego e do PIB. Veio de mãos atadas ao desemprego em massa, à degradação da economia, e levou o Brasil de volta ao Mapa de Fome da ONU.

CTB

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