“Nós somos a geração que vai enterrar o sionismo e o imperialismo”, diz Thiago Ávila
Ativista brasileiro desembarcou em Guarulhos após dez dias preso ilegalmente em Israel e voltou a denunciar violações contra palestinos em Gaza
O ativista Thiago Ávila afirmou nesta segunda-feira (11), após retornar ao Brasil depois de dez dias preso em Israel, que a mobilização internacional em defesa da Palestina precisa avançar para “enterrar o sionismo e o imperialismo”. O brasileiro desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após ser deportado por autoridades israelenses depois de participar de uma missão humanitária voltada à Faixa de Gaza.
O militante integrava a Flotilha Global Sumud, iniciativa organizada por entidades da sociedade civil para romper o bloqueio imposto por Israel ao território palestino. O ativista acabou detido em 30 de abril, após forças israelenses interceptarem a embarcação que transportava alimentos e itens de sobrevivência destinados à população de Gaza. De acordo com os responsáveis pela missão, cerca de 22 embarcações e 175 ativistas internacionais participavam da iniciativa, que tinha como objetivo levar ajuda humanitária à população palestina na Faixa de Gaza.
A deportação foi confirmada no domingo (10) pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel e pela organização israelense de direitos humanos Adalah. Em nota, a ONG criticou a ação israelense e afirmou que houve violação do direito internacional.
“O uso de detenção, interrogatório e tortura contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”, declarou a entidade.
Familiares de Thiago Ávila denunciaram condições severas durante o período de detenção. Segundo relatos da esposa do ativista, Lara Souza Ávila, ele permaneceu em cela solitária iluminada 24 horas por dia, o que teria provocado privação de sono e desorientação.
Ainda de acordo com familiares, autoridades israelenses chegaram a afirmar que o brasileiro poderia permanecer preso por até 100 anos. A defesa e entidades de direitos humanos classificaram as ameaças como arbitrárias e incompatíveis com normas internacionais.
Em nota conjunta divulgada após a prisão, os governos do Brasil e da Espanha condenaram a detenção dos ativistas e defenderam o respeito ao direito internacional, além da garantia de proteção humanitária aos envolvidos.
O governo de Israel sustenta que a ação teria ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), entidade sancionada pelos Estados Unidos sob acusação de apoiar o Hamas. Já os organizadores da flotilha negam qualquer relação com grupos armados e afirmam que a missão possuía caráter exclusivamente humanitário.
Durante conversa com jornalistas no desembarque, Thiago Ávila reforçou o discurso de resistência política e afirmou que as próximas gerações precisarão manter a mobilização internacional em defesa dos palestinos. “É importante que a gente diga que a gente lutou, se mobilizou”, declarou.
O ativista também associou a luta em defesa da Palestina ao combate internacional contra práticas autoritárias e extremistas. Em suas declarações, Ávila afirmou ser necessário resistir ao “nazismo” e ao “fascismo”, além de defender a continuidade das ações organizadas pela Global Sumud Flotilha.
Prisões e denúncias
O Ministério das Relações Exteriores de Israel confirmou a deportação de Thiago Ávila e do ativista espanhol Saif Abukeshek. Os dois seguiram para a Europa após a liberação. Em Barcelona, Saif conversou com jornalistas e afirmou que sua principal preocupação permanece voltada à situação enfrentada pelos palestinos presos em centros de detenção israelenses.
As organizações envolvidas na missão humanitária afirmam que as forças israelenses realizaram uma abordagem ilegal contra o navio da flotilha. A embarcação levava mantimentos básicos para moradores da Faixa de Gaza em meio à crise humanitária provocada pela ofensiva militar israelense.
De acordo com o Centro Legal para os Direitos das Minorias Árabes em Israel, Thiago Ávila e Saif Abukeshek permaneceram em isolamento total durante a prisão e sofreram maus-tratos no período em que ficaram detidos.
A situação gerou reação internacional. O presidente Lula criticou a manutenção da prisão do ativista brasileiro, enquanto os governos do Brasil e da Espanha cobraram garantias de segurança e exigiram a libertação imediata dos dois integrantes da missão humanitária.
Missão internacional
Thiago Ávila e Saif participavam da Flotilha da Liberdade Global, articulação internacional formada por organizações civis que denunciam o bloqueio israelense à Faixa de Gaza. O grupo tenta levar ajuda humanitária à população palestina e pressionar governos e organismos internacionais sobre a crise no território.
Além da embarcação interceptada por Israel, mais de 100 ativistas pró-Palestina, distribuídos em cerca de 20 barcos, seguiram para a ilha grega de Creta durante a operação organizada pela flotilha.
A mobilização internacional ganhou repercussão em vários países após a prisão dos ativistas e ampliou a pressão política sobre o governo israelense em meio às denúncias de violações humanitárias na Faixa de Gaza.





