Pesquisa PoderData: segurança, saúde e educação pautam eleitorado
Segurança é prioridade para 18% dos eleitores; saúde e educação aparecem logo atrás, com 17% cada, diz levantamento
A segurança pública é apontada por 18% dos brasileiros como a principal prioridade para o próximo presidente da República, segundo pesquisa PoderData/Aya realizada entre 9 e 12 de agosto. O tema aparece apenas um ponto à frente de saúde e educação, ambas com 17%, enquanto inflação e emprego e renda são citados por 14% e 13% dos entrevistados, respectivamente.
O resultado nacional, no entanto, esconde diferenças importantes entre os eleitorados que hoje se dividem entre os principais candidatos à Presidência. Entre quem declara voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), saúde e educação são as maiores preocupações: cada uma reúne 23% das respostas. A segurança aparece em terceiro, com 13%, seguida por combate à pobreza, com 13%, e emprego e renda, com 12%.
O cenário é diferente entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL). Nesse grupo, segurança pública lidera com 24%, seguida pelo combate à corrupção, com 22%. A inflação aparece em terceiro, com 17%, enquanto emprego e renda soma 14%. Saúde e educação, prioridades de 23% dos eleitores de Lula, são citadas por apenas 11% e 10% dos apoiadores de Flávio, respectivamente.
Prioridades variam conforme perfil do eleitor
A diferença não é apenas numérica. Ela mostra expectativas distintas em relação ao papel do próximo governo. No eleitorado de Lula, as duas primeiras posições são ocupadas por áreas diretamente relacionadas à oferta de serviços públicos e às condições de vida da população. Entre os eleitores de Flávio, segurança, combate à corrupção e inflação concentram maior peso nas respostas.
O recorte por gênero reforça a relevância de saúde e educação entre as mulheres. Para elas, saúde é a principal prioridade, citada por 20%, seguida por educação, com 17%, e segurança pública, com 15%. Entre os homens, a ordem se altera: segurança chega a 22%, enquanto educação fica em 16% e saúde, em 14%.
A idade também produz diferenças. Entre os jovens de 16 a 24 anos, saúde lidera com 23%, enquanto segurança e inflação aparecem empatadas, com 17%. Na faixa de 25 a 44 anos, segurança, educação e inflação registram 18% cada. Já entre os eleitores com 60 anos ou mais, segurança chega a 21%, seguida por combate à corrupção, com 18%.
As prioridades variam ainda conforme a região. No Nordeste, segurança e saúde empatam na liderança, com 22% cada. No Sudeste, segurança aparece com 19%, seguida por educação, com 18%. No Centro-Oeste e no Sul, a inflação assume o primeiro lugar, com 19% em ambos os casos. No Norte, saúde e segurança também dividem a liderança, com 22% cada.
A escolaridade acrescenta outro elemento a esse quadro. Entre os entrevistados com ensino superior, educação é a principal prioridade, com 23%, à frente de segurança, com 20%, e inflação, com 17%. Já entre aqueles que estudaram até o ensino fundamental, saúde chega a 29%, enquanto segurança fica em 14%.
Percepção de insegurança convive com queda dos homicídios
A segurança aparece no topo das preocupações nacionais, mas a percepção sobre o problema não acompanha necessariamente a trajetória dos principais indicadores de violência letal. Como mostrou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou em 2025 a menor taxa de mortes violentas intencionais desde o início da série histórica. Foram 40.775 vítimas, 8,2% menos do que em 2024. O país também alcançou, dois anos antes do prazo, a meta nacional de redução dos homicídios prevista para 2027.
O resultado não significa que a segurança pública esteja resolvida. O mesmo levantamento aponta o crescimento dos feminicídios e das mortes decorrentes de intervenção policial, além da expansão dos crimes praticados no ambiente digital. A queda da violência letal convive, portanto, com problemas que permanecem e ajudam a explicar por que a segurança continua entre as principais preocupações dos brasileiros.
O que os eleitores esperam do próximo governo
A distância entre os dois grupos de intenção de voto ajuda a entender que as expectativas em relação ao próximo governo não se distribuem da mesma maneira entre os eleitores. Para os eleitores de Lula, saúde e educação aparecem com o mesmo peso e concentram 46% das respostas. Para os de Flávio, segurança e combate à corrupção também somam 46%. A diferença está, portanto, nos temas que ocupam o centro das preocupações de cada eleitorado.
No conjunto dos brasileiros, segurança, saúde e educação estão tecnicamente próximas, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. Inflação e emprego e renda também aparecem em patamar relevante, com 14% e 13%, enquanto combate à corrupção é citado por 12%. Combate à pobreza chega a 6% e meio ambiente, a 1%.
O levantamento ouviu 2.400 pessoas em 658 municípios das 27 unidades da Federação, por meio de ligações para telefones fixos e celulares. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06868/2026.
Por Natália Padalko





