Rendimento do brasileiro tem alta de 5,4% e alcança R$ 3.367
O rendimento médio mensal real da população com renda no Brasil chegou a R$ 3.367 em 2025, com alta de 5,4% em relação ao registrado em 2024. O número de pessoas que possuíam algum tipo de rendimento alcançou o maior nível da série histórica, chegando a 143 milhões. Isso equivale a 67,2% da população brasileira.
Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua) – Rendimento de todas as fontes, divulgada nesta sexta-feira (8/5) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A pesquisa também mostra que o Brasil vem se recuperando das perdas registradas durante a pandemia de Covid-19. A massa de rendimento mensal real de todos os trabalhos – que atingiu R$ 361,7 bilhões – teve crescimento real de 7,5% em relação a 2024 e de 23,5% se comparado a 2019. São quatro anos consecutivos de crescimento com taxas anuais superiores a 6%.
Considerando a renda das famílias, também houve crescimento. O rendimento médio mensal real domiciliar per capita subiu 6,9% em relação a 2024. O valor – R$ 2.264 – também é o maior da série histórica da Pnad Contínua. Já a população com rendimento do trabalho aumentou para 47,8%, um avanço de 0,7 ponto percentual em relação a 2024. A renda média recebida por este grupo era de R$ 3.560, o que representa um crescimento de 5,7%.
Os dados mostram uma economia acelerada e vão ao encontro dos divulgados pelo IBGE em janeiro, que revelaram desemprego em queda e aumento do trabalho formal em 2025. Os novos postos formais de trabalho chegaram a um milhão, aumento de 2,8% se comparado ao ano anterior. Ao mesmo tempo, o trabalho informal recuou 0,4%. A taxa de desemprego também foi a menor da série histórica, passando de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025.
Aumentos anuais do salário mínimo acima da inflação também explicam os recordes, ao proporcionar um impulsionamento da renda do conjunto do mercado de trabalho, especialmente em segmentos como serviços e comércio. As regras da Política de Valorização do Salário Mínimo — abandonadas após 2017 e retomadas em 2023 pelo governo Lula — preveem que, a cada ano, o piso nacional é aumentado pela soma da inflação do ano anterior e a variação positiva do PIB registrada dois anos antes. Ou seja, se o Brasil cresce, o salário mínimo cresce.
Alguns pontos mostrados pela pesquisa, entretanto, merecem atenção. Apesar da melhora na renda, a desigualdade também aumentou. A Pnad Contínua mostra que os 10% com maiores rendimentos receberam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% com os menores rendimentos em 2025.
O índice de Gini da renda individual subiu ligeiramente no 4º trimestre de 2025, de 0,485 para 0,490. O índice é um indicador econômico que mede o grau de concentração de renda e desigualdade social em um grupo. Quanto mais próximo de 1, maior a concentração de renda nas mãos de poucos.
O aumento dos rendimentos também coexiste com outro desafio: o endividamento das famílias. A Pesquisa Datafolha divulgada em abril indica que 67% dos brasileiros dizem ter dívidas financeiras, e 21% estão com pagamentos em atraso, apesar do contexto macroeconômico favorável.
No entanto, como já apontado pela Contee, a renda cresce, mas não resolve o estrangulamento. Apesar da retomada da Política de Valorização do Salário Mínimo – medida essencial e um dos maiores legados socioeconômicos das gestões progressistas – a distância entre renda real e custo de vida permanece elevada. Em março, o Dieese estimou que o salário mínimo necessário para cobrir despesas básicas (alimentação, moradia, saúde, transporte, educação e lazer de uma família de quatro pessoas) deveria ser de R$ 7.425,99. Hoje, o piso atual está em R$ 1.621 – ou seja, 4,6 vezes menor que o ideal.
A Pnad Contínua aponta que o Brasil está no caminho certo, mas é preciso ir além. Consolidar avanços recentes – como o aumento da formalização e a valorização do salário mínimo – e fortalecer direitos trabalhistas são caminhos necessários. Assim como investir em políticas que desenvolvam o País, com geração de empregos formais de qualidade e com fortalecimento de cadeias produtivas.
A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a taxação dos super ricos, além do lançamento de programas como Desenrola 2.0, mostram que o governo Lula está atento às distorções que ainda persistem – e busca corrigi-las.
Por Andressa Schpallir





