Vorcaro terá de devolver R$ 60 bilhões por rombo do Master
Ressarcimento também é condição para que delação premiada possa ser aprovada, mas acordo ainda corre risco devido a omissões do banqueiro
Como forma de repor ao menos parte dos prejuízos causados pelas fraudes do banco Master, Daniel Vorcaro terá de devolver cerca de R$ 60 bilhões, em curto prazo. A condição também é necessária para a aceitação de sua delação premiada.
De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, Vorcaro teria proposto às autoridades envolvidas nas investigações do caso o ressarcimento de R$ 40 bilhões em dez anos, o que teria desagradado integrantes da Polícia Federal (PF), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao menos três aspectos teriam sido levantados contra a proposta apresentada. Um deles seria o fato de que a legislação brasileira não permite que o prejuízo seja negociável.
O valor total do rombo ainda não é sabido, dado que as investigações ainda estão em curso, mas, até o momento, sabe-se que ao menos R$ 51,8 bilhões tiveram de ser usados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para saldar o prejuízo dos clientes do Master.
Outro fato levantado – no caso, contra o parcelamento do valor — diz respeito ao ocorrido com empresas envolvidas na Lava Jato que, mesmo após o fechamento do acordo, passaram a questionar os valores pagos na Justiça.
Por fim, também foi apontado que como o Master foi liquidado, não haveria fonte de pagamento viável da dívida pelos próximos anos.
Delação em risco
Nesta segunda-feira (18), Vorcaro saiu da sala especial onde estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e foi transferido para uma cela comum.
A mudança teria ocorrido devido à entrega de sua proposta de delação. A estadia na sala especial teria o objetivo de facilitar os trâmites relativos ao acordo e, com a sua entrega, esse regime especial teria perdido sua razão.
Por outro lado, segundo o jornalista Gerson Camarotti, do G1 e GloboNews, a transferência seria, na verdade, um indicativo de que a proposta não agradou os investigadores.
Isso porque esse tipo de acordo pressupõe a entrega, por parte do acusado, de informações concretas que auxiliem as investigações. No caso de Vorcaro, segundo vem sendo apontado, muitos elementos relevantes ficaram de fora.
O banqueiro omitiu, por exemplo, o pagamento de mesadas ao presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), bem como os repasses feitos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para, supostamente, pagar o filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro (PL). Nesse cenário, os investigadores teriam decidido seguir o trabalho — que estaria bastante avançado — independentemente das entregas do banqueiro.
Com agências
Por Priscila Lobregatte





