Centrais Sindicais reúnem sindicalistas para tratar da aprovação do fim da 6×1 no Senado

As Centrais Sindicais promoveram, nesta segunda (8/6), uma reunião virtual para informar sobre a tramitação, no Senado, da proposta de emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho. A atividade contou com a presença de cerca de 500 sindicalistas de todo o Brasil.

A PEC 221/2019, aprovada na Câmara dos Deputados no dia 27 de maio, altera a atual escala de trabalho (6×1), proporcionando aos trabalhadores e trabalhadoras um dia a mais de descanso semanal – dois a cada cinco dias trabalhados. Também reduz as atuais 44 horas de trabalho por semana para 40 horas, sem redução salarial.

A reunião contou com a participação do senador Paulo Paim (PT-RS), histórico defensor da pauta, além de dirigentes das Centrais Sindicais e de representantes do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).

O senador Paulo Paim destacou que a luta pela redução da jornada é uma reivindicação histórica do movimento sindical brasileiro. Ele ressaltou que a proposta aprovada na Câmara dos Deputados representa uma construção coletiva da sociedade brasileira e defendeu que o Senado aprove o texto sem alterações. Dessa forma, evita-se que a matéria retorne àquela Casa e sofra atrasos na tramitação.

Paim avaliou que o debate no Senado será mais difícil do que na Câmara, mas afirmou estar otimista com a possibilidade de aprovação, destacando que o tema já foi amplamente discutido ao longo dos anos e que o momento agora é de votar a proposta.

O senador também ressaltou que a redução da jornada acompanha uma tendência mundial, impulsionada pelos ganhos de produtividade, pela automação, pela robótica e pela inteligência artificial. Citou experiências internacionais de países que já adotam jornadas menores, como França, Portugal, Espanha, Bélgica, Alemanha, Chile, Holanda e países da União Europeia.

Para ele, a redução para 40 horas semanais pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, ampliar a massa salarial e fortalecer o mercado interno, sem impactos negativos para a economia.

Na sequência, André Santos, técnico do DIAP, apresentou um mapeamento da correlação de forças no Senado Federal. O levantamento identificou senadores favoráveis, contrários e indecisos em relação à proposta, com base em manifestações públicas, histórico de votações e assinaturas em proposições relacionadas ao tema.

O DIAP também chamou atenção para a PEC 12/2025, apresentada pelo senador Rogério Marinho, apontada como uma proposta prejudicial aos trabalhadores por ampliar mecanismos de flexibilização da jornada, fragilizar direitos e permitir formas de contratação mais precárias. A orientação é dialogar com os senadores que assinaram essa proposta para buscar a retirada das assinaturas e conquistar apoio à proposta de redução da jornada sem redução salarial.

Uma audiência pública está prevista para o dia 24 de junho, no Senado, para ampliar o debate sobre o tema.

Com informações das Centrais Sindicais.

Por Andressa Schpallir

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