Censo Escolar 2025: políticas públicas impulsionam resultados positivos
O Ministério da Educação divulgou no dia 27 de junho os resultados da segunda etapa do Censo Escolar 2025. Os dados mostram uma melhora expressiva nos indicadores educacionais. O avanço é resultado de investimentos robustos em políticas públicas voltadas para o acesso à educação, permanência e infraestrutura implementadas pelo governo federal.
Ensino médio
O destaque fica para o Ensino Médio. A reprovação caiu 62%, o abandono recuou 61% e a distorção idade-série diminuiu 28% entre 2022 e 2025. Um dos dados mais significativos é a queda da taxa de não retorno, indicador inédito calculado pelo Inep: entre 2022 e 2025, ela recuou 28%. A taxa mede o percentual de estudantes que concluem um ano letivo mas não se matriculam novamente na série seguinte no ano subsequente. O presidente do Inep, Manuel Palacios, estimou que, se esse índice tivesse permanecido no nível de 2022, o país teria hoje quase 250 mil jovens a menos no ensino médio.
A Pnad Contínua do IBGE confirma a tendência: a frequência escolar líquida entre jovens de 15 a 17 anos saltou de 76,8% para 80,6%, o maior percentual da série histórica desde 2016. Parte desse movimento reflete a recuperação do terreno perdido na pandemia, quando o abandono disparou e o vínculo de muitos jovens com a escola se fragilizou. A retomada exigiu esforço das redes, dos professores e de políticas específicas de busca ativa e reintegração.
No mesmo período, a taxa de aprovação aumentou 11%. A melhora nos índices tem reflexo direto nas inscrições do Enem. Entre 2022 e 2025, 46% mais concluintes de escolas públicas fizeram o exame.
Uma das causas apontadas para a diminuição do abandono é o programa Pé-de-Meia. Criado em 2024, ele atua diretamente sobre a evasão escolar por motivos de trabalho — mais de 40% dos casos — ao oferecer poupança educacional a estudantes do ensino médio inscritos no CadÚnico. O benefício é condicionado à frequência e à aprovação.
Estudos estimaram redução de até 6,5 pontos percentuais na taxa de abandono desde o lançamento do programa, com variações regionais relevantes, como no Ceará, onde a redução chega a 10 pontos percentuais.
Tempo integral: Brasil atinge a meta do PNE
Pela primeira vez, o Brasil atingiu a Meta 6 do Plano Nacional de Educação. A meta previa 25% dos alunos da rede pública em tempo integral com jornadas de ao menos sete horas diárias. Em 2025, o percentual chegou a 25,8%, com 8,8 milhões de estudantes neste modelo. Foi um salto de 10,7 pontos percentuais em quatro anos (2021 a 2025), com mais de 1,8 milhão de novas matrículas. No ensino médio público, o avanço foi de 16,7% em 2022 para 26,8% em 2025.
Desde 2023, o governo Lula investiu mais de R$ 4 bilhões na modalidade com o programa Escola em Tempo Integral. O programa busca apoiar redes de ensino na expansão de matrículas em tempo integral em todas as etapas e modalidades da educação básica.
A jornada ampliada reduz a exposição dos estudantes à necessidade de trabalhar no contraturno, amplia o acesso à alimentação escolar e fortalece o vínculo cotidiano com a escola. Esses fatores, combinados, contribuem diretamente para a redução do abandono e da reprovação.
Alfabetização nas séries iniciais
O índice de alfabetização das crianças passou de 36% em 2021 para 66% em 2025, em um grande salto qualitativo. O MEC associou o resultado ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, política estruturada para recuperar as perdas da pandemia e garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas ao fim do 2º ano do ensino fundamental. Foi lançado em junho de 2023.
O programa se estrutura em colaboração entre União, estados e municípios, com foco na formação de professores, distribuição de materiais didáticos e criação de espaços de leitura nas escolas. O objetivo é que o percentual de crianças da rede pública alfabetizadas ao concluir o 2º ano atinja 60% em 2024, 64% em 2025, 67% em 2026, e continue subindo até superar 80% em 2030.
Conectividade como suporte ao ensino
O número de escolas públicas com acesso à internet cresceu 43,7% entre 2023 e 2025, saltando de 66,8 mil para 100 mil unidades. O investimento no período foi superior a R$ 3 bilhões, através da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas. O percentual de escolas da educação básica conectadas passou de 82,8% em 2021 para 94,5% em 2025.
A meta do governo é conectar todas as 138 mil escolas da rede pública até o fim de 2026. O esforço é para que todos os estudantes tenham as mesmas oportunidades. A infraestrutura digital amplia as possibilidades pedagógicas e reduz a distância entre as condições de ensino.
Educação Infantil
A educação infantil alcançou o maior patamar de crianças de 0 a 3 anos com acesso à creche: os dados mostram que 41,8% estavam matriculadas em 2025. O índice se aproxima da meta de 50% estabelecida pelo PNE.
Para aumentar o acesso, o MEC lançou, em 2025, o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil, que reúne mais de 2,5 mil entes federados. O objetivo do pacto, de acordo com o Ministério, é unir esforços em torno da expansão de vagas, da permanência de bebês e crianças e da implementação de parâmetros nacionais de qualidade.
No entanto, os dados apresentados pelo Censo em relação à infraestrutura apontam para um desafio. Apenas 17% das creches têm todos os itens considerados básicos para funcionamento: prédio escolar, energia de rede pública, água da rede pública, banheiro, rede de esgoto, cozinha, alimentação para os alunos, coleta de lixo, acessibilidade, internet, biblioteca e/ou sala de leitura. A falta de acesso a saneamento básico se destaca: 33% nas creches não usa água da rede pública e 4% não tem rede de esgoto.
A previsão é de sejam investidos R$ 7,3 bilhões na construção de 1.670 novas creches através do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Apenas em 2025, foram criadas 48,5 mil novas vagas em creches e pré-escolas, com apoio do governo federal.
Por Andressa Schpallir





