Após ser lançada, Frente Brasil Popular promete ampla mobilização nas ruas

Durante o lançamento da Frente Brasil Popular, no sábado (5/9), em Belo Horizonte (MG), ficou evidente a importância da defesa da reforma política, principalmente a questão do financiamento das campanhas eleitorais. Dias antes, o Senado Federal aprovou a proibição das doações de empresas às campanhas políticas. Agora, a matéria volta para a Câmara dos Deputados, que, por sua vez, aprovou as doações de empresas e seu presidente, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fará de tudo para que a Casa mantenha sua posição. Sindicatos e movimentos sociais se preparam para uma ampla mobilização.

Está marcado para o dia 26 de setembro uma reunião da Comissão Nacional da Frente Brasil Popular para organizar e articular ações em torno dessa pauta no Congresso e também preparar uma grande mobilização nacional no dia 3 de outubro para defender e comemorar os 61 anos da Petrobras.

“A questão central dessa reforma é o financiamento privado de campanha, que é um retorno do Brasil Império. No século 19 quem tinha dinheiro podia ser candidato e ser eleito.

Agora, todos têm direito a voto. Mas quem continua sendo eleito são as grandes elites, porque os setores populares são barrados por causa do financiamento privado. As mulheres que são maioria da população e não está representada, bem como o negros. A financiamento privado legitima a forma censitária dos mandatos e isso é um retrocesso ao império”, declarou o Coordenador da Secretaria de Políticas Sindicais da Contee, José Carlos Padilha Arêas.

Para ele, o lançamento da Frente foi importante por ser o primeiro passo na construção de uma frente ampla “na defesa da democracia, do direito constitucional, contra o golpe, pela indústria nacional e da Petrobras”. Agora, é preciso consolidar a frente, com uma agenda dinâmica e novos encontros, atos e debates.

Arêas fez, durante o sábado, uma analise de conjuntura sobre a reforma política. “Essa é uma discussão que provavelmente vamos ter que pressionar a Câmara para não votar pelo financiamento privado. Essa é a grande mobilização que vem adiante”, alertou o dirigente mineiro, lembrando que um dos pontos centrais acertados na pauta da Frente é a defesa do país contra eventuais tentativas de golpes. “Temos que ter a clareza que neste momento não está superado o golpe. Temos que ficar atentos e evitá-lo porque a direita continuará tentando”, completou José Carlos Arêas.

Para ele, o dia 26 próximo contribuirá para organizar os próximos atos em defesa da democracia e de uma reforma política ampla e progressista. “Não há outra forma de defender a democracia, senão ir às ruas e mobilizar o maior número possível de pessoas”, disse.

Quem também esteve presente no encontro foi Karina Vitral, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), que também defendeu que a saída da crise política “passa pela unidade dos movimentos sociais e a disputa das ruas”.

“A gente quer defender a democracia e repudiar qualquer tentativa de golpe a democracia, que não respeita o voto popular. Queremos discutir a reforma politica que coloque fim ao financiamento privado de campanha. E também não concordamos com o ajuste fiscal”, declarou Vitral.

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